Resposta rápida: o Inep liberou o Cartão de Confirmação do Enem 2026 na terça-feira, 27 de outubro. Para ver o...
Inequações exponenciais nada mais são do que desigualdades entre expressões algébricas cuja incógnita encontra-se no expoente! Vem comigo aqui e saiba tudo sobre elas!
Olá, pessoal! Se você já sabe resolver uma equação exponencial, então está a um passo de dominar as inequações exponenciais. A estrutura é parecida; porém, existe um detalhe que muda tudo: o valor da base. Dependendo dele, o sinal da desigualdade se mantém ou precisa ser invertido.
Por isso, neste guia, reunimos em um único lugar a teoria completa, a regra da base, exemplos resolvidos, os casos com 2º grau no expoente, as inequações simultâneas e exercícios com gabarito. Assim, você não precisa pular entre vários textos para entender o assunto.
| Resposta rápida: uma inequação exponencial é uma desigualdade (>, <, ≥ ou ≤) em que a incógnita está no expoente. Para resolvê-la: (1) escreva as potências com a mesma base; (2) cancele as bases e compare os expoentes: se a base for maior que 1, mantenha o sinal; se a base estiver entre 0 e 1, inverta o sinal; (3) resolva a inequação que sobrou nos expoentes (do 1º grau, do 2º grau ou simultânea). |
Neste guia você vai ver:
Uma inequação exponencial é toda inequação que possui a incógnita no expoente. Em outras palavras, trata-se de uma desigualdade entre potências em que o x aparece no expoente. Veja alguns exemplos:
Para que a função faça sentido, a base precisa ser positiva e diferente de 1, condição explicada em Função Exponencial: definição e condições de existência. Por conseguinte, é essa função que sustenta todas as regras deste texto.

A diferença está no sinal. Na equação exponencial aparece o sinal de igualdade (=); na inequação, aparece um sinal de desigualdade: <, >, ≤ ou ≥. Consequentemente, a equação costuma ter um ou poucos valores como resposta, enquanto a inequação tem como resposta um intervalo de valores.
| Equação exponencial | Inequação exponencial | |
|---|---|---|
| Sinal | = | <, >, ≤ ou ≥ |
| Exemplo | 2x = 8 | 2x > 8 |
| Resposta | x = 3 (um valor) | x > 3 (um intervalo) |
| Cuidado extra | Nenhum | Olhar a base para decidir se o sinal se mantém ou se inverte |
Vale rever o caminho da equação, pois ele é o ponto de partida. Em 2x = 8, escrevemos 8 como 23, cancelamos as bases e igualamos os expoentes; logo, x = 3. Na inequação, o início é idêntico. No entanto, antes de cancelar as bases, precisamos observar o valor delas.
Esse é o coração do assunto. Ao chegar a uma desigualdade de potências de mesma base, cancelamos as bases e comparamos os expoentes. O que acontece com o sinal depende exclusivamente da base a:

| Valor da base a | Função ax | O que fazer com o sinal | Em símbolos |
|---|---|---|---|
| a > 1 | Crescente | Mantém o sinal | ab > ac ⇒ b > c |
| 0 < a < 1 | Decrescente | Inverte o sinal | ab > ac ⇒ b < c |
Para não esquecer, guarde esta frase: se a base for maior que 1, mantenha o sinal; se a base estiver entre 0 e 1, inverta o sinal.
Quando a base é maior que 1, a função exponencial é crescente: quanto maior o expoente, maior a potência. Logo, se 2x > 23, o x precisa ser maior que 3. Dessa forma, o sinal continua apontando para o mesmo lado.

Já quando a base está entre 0 e 1, a função é decrescente: quanto maior o expoente, menor a potência. Observe com números: (1/2)1 = 0,5; (1/2)2 = 0,25; e (1/2)3 = 0,125. O expoente aumentou, porém o resultado diminuiu. Portanto, para que (1/2)x seja maior que (1/2)−3, o x precisa ser menor que −3, e o sinal se inverte.

No gráfico a seguir, a reta y = 8 corta as duas curvas. À esquerda, 2x cresce e fica acima de 8 quando x > 3. À direita, (1/2)x decresce e fica acima de 8 quando x < −3. Assim, o gráfico confirma o que a regra diz. Se quiser se aprofundar, veja o Gráfico da Função Exponencial: guia completo.

Como a base precisa ser positiva e diferente de 1, só existem dois cenários úteis: 0 < a < 1 ou a > 1. A reta real abaixo mostra exemplos de cada um. Se a base fosse 1, o resultado seria sempre 1 e não haveria o que comparar; por isso o número 1 fica de fora.

Independentemente do tipo de inequação, o roteiro é o mesmo. Siga as etapas na ordem:
Na etapa 2, as propriedades da potenciação fazem o trabalho pesado. Dessa forma, vale ter esta tabela por perto:
| Fórmula | Fórmula | ||
|---|---|---|---|
| P1 | am · an = am+n | P5 | (a/b)n = an / bn |
| P2 | am / an = am−n | P6 | a−n = 1 / an (a ≠ 0) |
| P3 | (am)n = am·n | P7 | (a/b)−n = (b/a)n |
| P4 | (a · b)n = an · bn | P8 | am/n = n√(am) |
Se ainda precisar de reforço, a videoaula no final do texto traz dicas sobre as propriedades da potenciação.
Chegou a hora de praticar. Nos quatro primeiros exemplos, a inequação termina em uma conta de 1º grau; depois, avançamos para o 2º grau, para a substituição e para as simultâneas.
Passo 1 — Iguale as bases. Fatorando, 32 = 25. Logo, a inequação fica 2x+5 > 25.

Passo 2 — Observe a base. A base 2 é maior que 1; portanto, mantemos o sinal: x + 5 > 5.
Passo 3 — Resolva. x > 5 − 5, ou seja, x > 0.
Solução: S = {x ∈ ℝ | x > 0}

Conferindo: com x = 1, temos 26 = 64, que é maior que 32 (serve). Com x = −1, temos 24 = 16, que não é maior que 32 (não serve).
Passo 1 — Iguale as bases. Pela P6, 1/2 = 2−1; além disso, 8 = 23. Assim: (2−1)x−1 ≥ (23)x+3.
Passo 2 — Potência de potência (P3). 2−x+1 ≥ 23x+9.
Passo 3 — Compare os expoentes. A base 2 é maior que 1, então mantemos o sinal: −x + 1 ≥ 3x + 9.
Passo 4 — Resolva. −x − 3x ≥ 9 − 1, ou seja, −4x ≥ 8. Ao multiplicar por −1, o sinal se inverte: 4x ≤ −8, portanto x ≤ −2.
Solução: S = {x ∈ ℝ | x ≤ −2}
Atenção: essa última inversão não tem relação com a base. Ela vem da regra da inequação do 1º grau ao multiplicar por −1. Por isso, analise cada inversão separadamente.
Passo 1 — Iguale as bases. Pela P8, 3√3 = 31/3; pela P6, 1/9 = 3−2. Então: (31/3)x ≤ 3−2.
Passo 2 — Potência de potência (P3). 3x/3 ≤ 3−2.
Passo 3 — Compare os expoentes. A base 3 é maior que 1; logo, mantemos o sinal: x/3 ≤ −2.
Passo 4 — Resolva. Multiplicando os dois lados por 3, obtemos x ≤ −6.
Solução: S = {x ∈ ℝ | x ≤ −6}
Passo 1 — Iguale as bases. Escrevendo os decimais como potências de 10, temos 0,1 = 10−1 e 0,0001 = 10−4. Para trabalhar com expoentes positivos, use a P6: 10−1 = 1/10 e 10−4 = (1/10)4. A inequação fica (1/10)3−4x < (1/10)4.
Passo 2 — Observe a base. A base 1/10 está entre 0 e 1; portanto, invertemos o sinal: 3 − 4x > 4.
Passo 3 — Resolva. −4x > 1. Multiplicando por −1 (e invertendo de novo, agora por causa do 1º grau): 4x < −1, logo x < −1/4.
Solução: S = {x ∈ ℝ | x < −1/4}
Dica: existe um caminho sem nenhuma inversão. Com base 10, (10−1)3−4x = 10−3+4x, e a inequação vira 10−3+4x < 10−4. Como 10 é maior que 1, mantemos o sinal: −3 + 4x < −4, ou seja, x < −1/4. O resultado é o mesmo; assim, o que importa é cuidar da base.
Em alguns casos, depois de cancelar as bases, sobra um x² no expoente e, por consequência, uma inequação do 2º grau para resolver. Se precisar rever, passe pelo estudo do sinal da função quadrática e por Aplicando o estudo do sinal de uma função do 2º grau.
Passo 1 — Observe a base. As bases já são iguais, e 1/4 (que vale 0,25) está entre 0 e 1. Logo, invertemos o sinal: x² − x < 2.
Passo 2 — Monte a função. Para estudar o sinal, deixe apenas o zero do lado direito: x² − x − 2 < 0. Em seguida, defina f(x) = x² − x − 2.
Passo 3 — Coeficientes e concavidade. a = 1, b = −1 e c = −2. Como a > 0, a parábola tem concavidade voltada para cima.
Passo 4 — Discriminante. Δ = b² − 4·a·c = (−1)² − 4·1·(−2) = 1 + 8 = 9. Como Δ > 0, existem duas raízes reais e distintas (veja mais em Raízes da Função Quadrática).
Passo 5 — Raízes. Pela fórmula de Bhaskara, x = (−b ± √Δ) / (2a) = (1 ± 3) / 2. Portanto, x₁ = 2 e x₂ = −1. Também é possível usar o método da soma e produto.
Passo 6 — Estude o sinal. A parábola é positiva fora das raízes e negativa entre elas.

Passo 7 — Escolha o trecho certo. A inequação pede f(x) < 0, isto é, o trecho do gráfico abaixo do eixo x: valores entre −1 e 2, sem incluir as raízes.

Solução: S = {x ∈ ℝ | −1 < x < 2}
Há ainda um caso em que o 2º grau aparece de outro jeito: as bases são diferentes, mas uma é o quadrado da outra. Nessa situação, fazemos uma substituição.
Passo 1 — Reescreva. 9x = (32)x = (3x)2. A inequação fica (3x)² − 4·3x + 3 ≤ 0.
Passo 2 — Substitua. Faça y = 3x. Como toda potência de base positiva é positiva, y > 0. Então: y² − 4y + 3 ≤ 0.
Passo 3 — Resolva em y. As raízes de y² − 4y + 3 = 0 são y = 1 e y = 3. Como a parábola tem concavidade para cima, ela é negativa ou nula entre as raízes: 1 ≤ y ≤ 3 (valores que respeitam y > 0).
Passo 4 — Volte para x. 1 ≤ 3x ≤ 3, isto é, 30 ≤ 3x ≤ 31. Com base 3 maior que 1, mantemos os sinais: 0 ≤ x ≤ 1.
Solução: S = {x ∈ ℝ | 0 ≤ x ≤ 1}
Atenção: muita gente para em y e esquece de voltar para x. Portanto, a resposta só termina quando o x reaparece.
Uma inequação simultânea tem dois sinais de desigualdade ao mesmo tempo, como em 1/9 < 9x−1 ≤ 3x. Resolvê-la significa encontrar os valores de x que satisfazem as duas desigualdades. Para isso, separamos a inequação em duas, resolvemos cada uma e, ao final, fazemos a intersecção das soluções. Se precisar rever, consulte a intersecção de conjuntos e as inequações simultâneas do 1º grau e do 2º grau.
Passo 1 — Separe em duas inequações. (1) 9x−1 > 1/9 e (2) 9x−1 ≤ 3x.

Passo 2 — Resolva a (1). Pela P6, 1/9 = 9−1; assim, 9x−1 > 9−1. A base 9 é maior que 1, então mantemos o sinal: x − 1 > −1, logo x > 0.
Passo 3 — Resolva a (2). Como 9 = 32, temos (32)x−1 ≤ 3x. Pela P3, 32x−2 ≤ 3x. A base 3 é maior que 1; portanto, 2x − 2 ≤ x, ou seja, x ≤ 2.
Passo 4 — Faça a intersecção. Precisamos de x > 0 e x ≤ 2 ao mesmo tempo. Os valores que atendem às duas condições estão entre 0 e 2, com bolinha aberta no 0 e fechada no 2.

Solução: S = {x ∈ ℝ | 0 < x ≤ 2}
Como toda potência de base positiva é positiva, certas inequações dispensam contas. Veja:
Às vezes não há como escrever os dois lados com a mesma base, como em 2x > 5. Nesses casos, usamos logaritmos: como a base 2 é maior que 1, x > log2 5. Esse tipo de resolução faz parte do estudo dos logaritmos.
| Tipo | Exemplo | Estratégia | Solução |
|---|---|---|---|
| Base maior que 1 | 2x+5 > 32 | Igualar as bases e manter o sinal | x > 0 |
| Base entre 0 e 1 | (0,1)3−4x < 0,0001 | Igualar as bases e inverter o sinal | x < −1/4 |
| Resulta em 2º grau | (1/4)x²−x > (1/4)2 | Inverter o sinal e fazer o estudo do sinal da parábola | −1 < x < 2 |
| Substituição | 9x − 4·3x + 3 ≤ 0 | Fazer y = 3x (y > 0), resolver em y e voltar para x | 0 ≤ x ≤ 1 |
| Simultânea | 1/9 < 9x−1 ≤ 3x | Separar, resolver cada uma e fazer a intersecção | 0 < x ≤ 2 |
Embora pareçam abstratas, as inequações exponenciais respondem a perguntas do tipo “a partir de quando?”. Elas surgem em crescimento populacional, juros compostos e decaimento radioativo. Observe dois exemplos.
Uma cultura começa com 100 bactérias e dobra a cada hora: N(t) = 100 · 2t. Após quantas horas ela terá mais de 3.200 bactérias?
Montando a inequação: 100 · 2t > 3.200, então 2t > 32, ou seja, 2t > 25. Como a base é maior que 1, mantemos o sinal: t > 5.
Resposta: depois de 5 horas (t > 5).
Uma substância tem 80 g e sua massa cai pela metade a cada período: M(t) = 80 · (1/2)t, com t em períodos. Quando a massa será menor que 5 g?
Montando a inequação: 80 · (1/2)t < 5, então (1/2)t < 1/16, ou seja, (1/2)t < (1/2)4. Agora a base está entre 0 e 1; portanto, invertemos o sinal: t > 4.
Resposta: depois de 4 períodos (t > 4).
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Agora é com você! Tente resolver cada item antes de olhar o gabarito comentado logo abaixo.
Exercício 1. 32x−1 ≥ 27
Exercício 2. (1/5)x+2 > 1/125
Exercício 3. (√2)x < 1/4
Exercício 4. (0,5)2x−3 ≤ 0,25
Exercício 5. 2x²−5x+6 < 1
Exercício 6. 1/27 ≤ 3x+1 < 81
Exercício 7 (desafio). 25x − 6·5x + 5 ≥ 0
1) Como 27 = 33, a inequação vira 32x−1 ≥ 33. Base 3 maior que 1: mantém o sinal, então 2x − 1 ≥ 3 e x ≥ 2. S = {x ∈ ℝ | x ≥ 2}
2) Como 1/125 = (1/5)3, temos (1/5)x+2 > (1/5)3. Base entre 0 e 1: inverte o sinal, então x + 2 < 3 e x < 1. S = {x ∈ ℝ | x < 1}
3) (√2)x = 2x/2 e 1/4 = 2−2. Base 2 maior que 1: x/2 < −2, logo x < −4. S = {x ∈ ℝ | x < −4}
4) 0,5 = 1/2 e 0,25 = (1/2)2. Base entre 0 e 1: inverte o sinal, então 2x − 3 ≥ 2 e x ≥ 5/2. S = {x ∈ ℝ | x ≥ 5/2}
5) Como 1 = 20, a inequação vira 2x²−5x+6 < 20. Base 2: mantém o sinal, então x² − 5x + 6 < 0. As raízes são 2 e 3 e a parábola tem concavidade para cima; logo, a função é negativa entre as raízes. S = {x ∈ ℝ | 2 < x < 3}
6) Como 1/27 = 3−3 e 81 = 34, temos 3−3 ≤ 3x+1 < 34. Base 3 maior que 1: −3 ≤ x + 1 < 4, ou seja, −4 ≤ x < 3. S = {x ∈ ℝ | −4 ≤ x < 3}
7) Faça y = 5x (y > 0): y² − 6y + 5 ≥ 0. As raízes são 1 e 5 e a parábola tem concavidade para cima; logo, y ≤ 1 ou y ≥ 5. Voltando: 5x ≤ 50 ou 5x ≥ 51, ou seja, x ≤ 0 ou x ≥ 1. S = {x ∈ ℝ | x ≤ 0 ou x ≥ 1}
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É uma desigualdade (>, <, ≥ ou ≤) em que a incógnita está no expoente de uma potência, como em 2x > 8. A resposta costuma ser um intervalo de valores, e não um número só.
Quando a base das potências estiver entre 0 e 1. Se a base for maior que 1, o sinal se mantém. Atenção: ao multiplicar por −1 durante a resolução da inequação dos expoentes, o sinal também se inverte, mas por outro motivo.
Primeiro, tente escrever todas as potências na mesma base usando fatoração e as propriedades da potenciação (por exemplo, 8 e 2 viram base 2; 9 e 3 viram base 3). Se for impossível, use logaritmos ou, quando uma base for o quadrado da outra, uma substituição.
A equação tem sinal de igualdade e costuma ter poucas soluções; a inequação tem sinal de desigualdade e tem como solução um intervalo. Além disso, na inequação é preciso observar a base para saber se o sinal se mantém ou se inverte.
Iguale as bases, compare os expoentes respeitando a regra da base e, por fim, resolva a inequação do 2º grau com o estudo do sinal da parábola, como no Exemplo 5.
Ela costuma aparecer com mais frequência em vestibulares. No Enem, o raciocínio surge de forma contextualizada, em problemas de crescimento e decaimento do tipo “a partir de quando?”. Para ver a incidência real do tema nas últimas edições, consulte o ENEM’s Anatomy.
Chegamos ao fim! Portanto, guarde a ideia central: olhe sempre para a base antes de cancelar as potências. Se ela for maior que 1, o sinal fica; se estiver entre 0 e 1, o sinal inverte. Com isso e com a prática dos exercícios, você estará pronto para resolver qualquer inequação exponencial. Um abraço e bons estudos!
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