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Os logaritmos surgiram com o intuito de nos auxiliar a resolver facilmente alguns tipos de equações exponenciais. Vamos aprender como ele é formado? Clique aqui!
Olá, pessoal! Tudo bem com vocês?
Sabe aquela equação em que você tenta igualar as bases, não consegue e acaba travando? Pois é exatamente aí que o logaritmo entra em cena. Ele costuma assustar, é verdade, mas, no fundo, é só uma forma organizada de responder a uma pergunta simples: a que expoente devo elevar uma base para chegar a determinado número?
Por exemplo, o logaritmo de 8 na base 2 é 3, porque 23 = 8. Assim, quando você domina essa ideia, boa parte das questões de logaritmo do Enem e dos vestibulares passa a ser uma questão de traduzir o logaritmo para uma potência e de aplicar as regras certas.
Neste guia completo, portanto, vamos percorrer todo o caminho: o que é logaritmo, como ele se escreve e se lê, quando ele existe, como calcular passo a passo, o que são o logaritmo decimal e o natural, um resumo das propriedades, onde os logaritmos aparecem no dia a dia e na prova, e exercícios resolvidos. Sempre que um ponto merecer aprofundamento, você encontrará o link do texto completo aqui no blog.
Resposta rápida
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Para entender o logaritmo, vale começar de onde ele nasceu: das equações exponenciais. Lá, tratamos de casos em que podíamos reduzir as potências à mesma base. Lembram como era?
2x = 8
2x = 23
x = 3
Como 8 = 23, bastou escrever os dois lados como potências de base 2 e comparar os expoentes. Dessa forma, descobrimos que x = 3. Porém, nem sempre as bases podem ser igualadas. O que fazer, então, diante de uma equação como a seguinte?
2x = 3
Pensem comigo. Se x = 1, então 21 = 2, que é menor do que 3. Se x = 2, então 22 = 4, que já passou de 3. Logo, concluímos que x está entre 1 e 2, exatamente como mostra a figura abaixo.

Mas qual é, exatamente, esse valor entre 1 e 2? Para responder, precisamos de um “nome” para o expoente que falta, e esse nome é logaritmo. Ou seja, o logaritmo é a ferramenta que resolve equações exponenciais em que não conseguimos igualar as bases. Mais adiante, vocês vão calcular o valor de x nesta equação e conferir que ele realmente fica entre 1 e 2.
Sejam a e b números reais positivos, com a ≠ 1. O logaritmo de b na base a é o número x tal que a elevado a x resulta em b. Em símbolos:
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loga b = x ⇔ ax = b lê-se: “o logaritmo de b na base a é igual a x” |
Dessa forma, o logaritmo nada mais é do que o expoente. Por exemplo, log2 8 = 3, pois 23 = 8. Assim, sempre que encontrar um logaritmo, pergunte: “a que expoente devo elevar a base para obter o logaritmando?”.

Cada letra da expressão loga b = x tem um nome próprio. Observe a figura e a tabela a seguir.

| Termo | Símbolo | O que representa | Restrição |
|---|---|---|---|
| Base | a | O número que será elevado (aparece “embaixo”, ao lado de log). | a > 0 e a ≠ 1 |
| Logaritmando | b | O resultado da potência (aparece logo depois de log). | b > 0 |
| Logaritmo | x | O expoente procurado, ou seja, o resultado da operação. | Pode ser qualquer número real |
Atenção: alguns livros trocam as letras, usando b para a base e a ou m para o logaritmando, por exemplo. Isso não muda nada! O que importa é lembrar que a base é sempre o número que fica embaixo, e o logaritmando é o número que vem logo depois de “log”.
Para resolver um logaritmo, utilizamos uma operação chamada logaritmação. Ela consiste em passar da forma logarítmica para a forma exponencial, e vice-versa, de acordo com a equivalência abaixo.
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loga b = x ⇔ ax = b |
A seta de duas pontas informa que as duas expressões dizem exatamente a mesma coisa. Para fazer a transformação, basta seguir as “setinhas” da figura: a base é elevada ao logaritmo, e o resultado é o logaritmando.

Vamos aplicar a logaritmação ao exemplo do início do texto. Se log2 3 = x, então 2x = 3, que é justamente a equação que não conseguíamos resolver igualando as bases. Portanto, x = log2 3 é o “expoente que faltava”.

Nem todo logaritmo existe. Para que loga b = x esteja definido, a base e o logaritmando precisam obedecer a três condições ao mesmo tempo:
Podemos visualizar isso em duas retas reais (ℝ): uma para os valores possíveis de a e outra para os de b. Reparem que há uma bolinha aberta no zero em ambas e, na reta da base, também no 1.

Repare que o zero não é positivo nem negativo, e por isso fica de fora: a bolinha aberta indica que o 0 não faz parte do intervalo. Se qualquer condição for violada, o logaritmo não é definido. A tabela mostra cinco exemplos clássicos:
| Logaritmo | O que está errado | Por quê |
|---|---|---|
| log3 (−27) | Logaritmando negativo | Uma base positiva elevada a qualquer expoente real nunca resulta em número negativo. |
| log5 0 | Logaritmando igual a zero | Uma base positiva elevada a qualquer expoente real nunca resulta em zero. |
| log0 3 | Base igual a zero | Nenhuma potência de base 0 resulta em 3. |
| log−2 16 | Base negativa | Bases negativas não permitem potências com expoentes reais quaisquer (por exemplo, (−2)1/2 não é um número real); por isso ficam fora da definição. |
| log1 7 | Base igual a 1 | Como 1x vale sempre 1, nunca resulta em 7. |
E o valor de x, o próprio logaritmo, tem alguma restrição? Nenhuma! Ele pode ser positivo, negativo ou zero: log2 8 = 3, log2 (1/8) = −3 e log2 1 = 0.
Quando a base ou o logaritmando trazem uma incógnita, como em log2 (x − 2), a condição de existência vira uma inequação. Esse passo a passo, com exemplos de 1º e 2º graus, está no texto Condição de Existência dos Logaritmos.
Calcular um logaritmo é descobrir o expoente que a base precisa ter para gerar o logaritmando. Portanto, o caminho mais seguro é transformar o logaritmo em uma equação exponencial. Basta seguir quatro passos.
Exemplo 1: log3 81. Pela logaritmação, 3x = 81. Como 81 = 34, temos 3x = 34 e, portanto, x = 4.
Exemplo 2: log2 (1/8), com resultado negativo. Temos 2x = 1/8 = 2−3. Logo, x = −3. Assim, o logaritmo pode, sim, ser negativo.
Exemplo 3: log4 8, com bases diferentes. Temos 4x = 8. Como 4 = 22 e 8 = 23, escrevemos (22)x = 23, ou seja, 22x = 23. Igualando os expoentes, 2x = 3 e, portanto, x = 3/2.
Exemplo 4: log 1000, com base omitida. Quando a base não aparece, ela vale 10. Então 10x = 1000 = 103 e, por conseguinte, x = 3.
Voltemos à equação 2x = 3, do início do texto. Como 3 não é uma potência inteira de 2, o logaritmo log2 3 não é um número “redondo”. Nesse caso, usamos a mudança de base, que escreve o logaritmo com uma base que a calculadora conhece (10 ou e):
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loga b = (log b) ÷ (log a) |
Dessa forma, log2 3 = log 3 ÷ log 2 ≈ 0,477 ÷ 0,301 ≈ 1,58. Isso confirma o que havíamos previsto: x está entre 1 e 2. Para praticar a mudança de base e ver exemplos mais elaborados, como logaritmos dentro de logaritmos e incógnita na base, acesse Aplicando a Logaritmação e Propriedades Operatórias dos Logaritmos.
Algumas consequências diretas da definição economizam muitas contas. Todas vêm de propriedades simples das potências:
| Consequência | Fórmula | Exemplo | Por quê |
|---|---|---|---|
| Logaritmo de 1 | loga 1 = 0 | log9 1 = 0 | a0 = 1 |
| Logaritmo da base | loga a = 1 | log5 5 = 1 | a1 = a |
| Logaritmo de potência da base | loga am = m | log3 35 = 5 | am = am |
| Base elevada ao logaritmo | aloga b = b | 2log2 7 = 7 | O logaritmo é o expoente que gera b |
| Logaritmos iguais, mesma base | loga b = loga c ⇔ b = c | log2 x = log2 9 ⇒ x = 9 | Vale para b > 0 e c > 0 |
Para ver cada uma dessas consequências demonstrada, com mais exemplos, leia Consequências da Definição de um Logaritmo.
Duas bases aparecem tanto que ganharam nome e notação própria. Vamos conhecê-las, pois elas facilitam bastante os cálculos.
O logaritmo decimal é aquele cuja base vale 10. Nesse caso, podemos omitir a base: escrever log b significa log10 b.

Exemplos: log 1000 = 3, pois 103 = 1000; log 10 = 1; e log 0,01 = −2, pois 10−2 = 0,01.
O logaritmo natural, também chamado de neperiano, tem como base o número de Euler, e ≈ 2,71828… (um número irracional). Em vez de escrever loge b, usamos a notação ln b.

Exemplos: ln e = 1, ln 1 = 0 e ln e2 = 2. O número e é tão importante porque, usado como base de uma função exponencial, descreve vários fenômenos de crescimento e decaimento, e isso explica o nome “natural”.
O adjetivo “neperiano” homenageia o matemático escocês John Napier (ou Neper), o primeiro a publicar um trabalho sobre logaritmos, em 1614. As tábuas originais dele, porém, eram um pouco diferentes do logaritmo natural que usamos hoje; o nome, portanto, é uma homenagem histórica.
| Tipo | Base | Notação | Exemplo | Onde aparece |
|---|---|---|---|---|
| Decimal | 10 | log b | log 1000 = 3 | pH, escala Richter e decibéis |
| Natural (neperiano) | e ≈ 2,718 | ln b | ln e2 = 2 | Crescimento e decaimento contínuos, cálculo |
| Atenção à notação. No ensino médio brasileiro, “log” sem base significa base 10. Já algumas linguagens de programação e softwares usam “log” para o logaritmo natural. Logo, vale conferir a notação sempre que sair do caderno. |
As propriedades dos logaritmos não são regras soltas: elas vêm das propriedades da potenciação. Como o logaritmo é um expoente, multiplicar números corresponde a somar expoentes, dividir corresponde a subtrair, e assim por diante. Veja o resumo (com bases e logaritmandos satisfazendo as condições de existência):
| Propriedade | Fórmula | Exemplo |
|---|---|---|
| Produto | loga (b · c) = loga b + loga c | log 6 = log 2 + log 3 |
| Quociente | loga (b ÷ c) = loga b − loga c | log 5 = log (10 ÷ 2) = log 10 − log 2 |
| Potência | loga bm = m · loga b | log 8 = log 23 = 3 · log 2 |
| Mudança de base | loga b = logc b ÷ logc a | log2 3 = log 3 ÷ log 2 |
Vejamos uma aplicação típica de prova. Sabendo que log 2 = 0,30 e log 3 = 0,48, calcule log 12.
log 12 = log (22 · 3)
log 12 = 2 · log 2 + log 3
log 12 = 2 · 0,30 + 0,48 = 1,08
Cuidado com um erro muito comum: o logaritmo de uma soma não é a soma dos logaritmos. Ou seja, log (a + b) ≠ log a + log b. As propriedades valem para produto, quociente e potência.
Cada propriedade tem demonstração e muitos exemplos em Propriedades Operatórias dos Logaritmos. Para treinar o uso delas, leia Aplicando as Propriedades Operatórias dos Logaritmos.
Os logaritmos transformam números gigantescos (ou minúsculos) em valores fáceis de manejar. Por isso, aparecem em várias áreas que o Enem adora cobrar de forma contextualizada:
Logo, entender logaritmo não é apenas decorar fórmulas: é ganhar uma ferramenta para ler escalas e resolver equações exponenciais.
Os logaritmos nasceram de uma necessidade prática. No início do século XVII, astrônomos e navegadores faziam multiplicações e divisões enormes à mão, e erravam com frequência. Em 1614, o escocês John Napier publicou o livro Mirifici Logarithmorum Canonis Descriptio, apresentando uma tabela capaz de transformar multiplicações em somas. Foi ele quem criou o termo “logaritmo”, que vem do grego e pode ser entendido como “número da razão”.
Pouco depois, o inglês Henry Briggs, em colaboração com Napier, desenvolveu os logaritmos de base 10, os logaritmos decimais. As tábuas de logaritmos e a régua de cálculo foram instrumentos essenciais de cientistas e engenheiros até a popularização das calculadoras eletrônicas, no século XX. Hoje as máquinas fazem as contas, mas o conceito continua central na matemática.
Chegou a hora de praticar! Primeiro, resolveremos juntos quatro exercícios: dois autorais e duas questões reais do Enem. Em seguida, deixamos cinco exercícios propostos, com gabarito comentado logo abaixo.
Exercício 1. Calcule: a) log2 64; b) log5 (1/25); c) log 0,001; d) log9 27.
| Item | Equação exponencial | Resultado |
|---|---|---|
| a | 2x = 64 = 26 | x = 6 |
| b | 5x = 1/25 = 5−2 | x = −2 |
| c | 10x = 0,001 = 10−3 | x = −3 |
| d | 9x = 27, ou seja, (32)x = 33, logo 2x = 3 | x = 3/2 |
Observe que, em b e c, o logaritmo é negativo, porque o logaritmando está entre 0 e 1 e a base é maior que 1.
Exercício 2. Para quais valores reais de x existe log3 (x − 4)?
Resolução. A base 3 já satisfaz 0 < 3 ≠ 1. O logaritmando precisa ser positivo: x − 4 > 0, logo x > 4. Portanto, S = {x ∈ ℝ | x > 4}.
Exercício 3 (Enem 2019). Resumo do enunciado: a Hydrangea macrophylla tem flores azuis em solo ácido (pH < 7) e cor-de-rosa em solo alcalino (pH > 7). A flor cor-de-rosa mais valorizada numa região é a produzida em solo com pH inferior a 8. Sabe-se que pH = −log10 x, em que x é a concentração de íons hidrogênio (H+). Para produzir a flor cor-de-rosa de maior valor comercial, o solo deve ser preparado de modo que x assuma:
Resolução. Flor cor-de-rosa significa solo alcalino (pH > 7) e maior valor comercial significa pH < 8. Assim, 7 < pH < 8. Como pH = −log x, temos 7 < −log x < 8, ou seja, −8 < log x < −7. Como a base 10 é maior que 1, o logaritmo é crescente; logo, 10−8 < x < 10−7. Gabarito: E.
Exercício 4 (Enem 2016). Resumo do enunciado: em 2011, um terremoto de magnitude 9,0 na escala Richter atingiu o Japão; em 2013, outro, de magnitude 7,0, sacudiu Sichuan, na China. A magnitude é dada por M = (2/3) · log10 (E/E0), em que E é a energia liberada (em kWh) e E0 é uma constante real positiva. Sendo E1 e E2 as energias liberadas no Japão e na China, qual é a relação entre E1 e E2?
Resolução. Subtraímos as duas magnitudes: 9 − 7 = (2/3) · [log (E1/E0) − log (E2/E0)]. Pela propriedade do quociente, a diferença entre os dois logaritmos é log (E1/E2). Assim, 2 = (2/3) · log (E1/E2), o que dá log (E1/E2) = 3. Pela definição de logaritmo, E1/E2 = 103 e, portanto, E1 = 103 · E2. Gabarito: C.
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É o expoente a que precisamos elevar uma base para obter certo número. Por exemplo, log2 8 = 3, porque 23 = 8. Logo, o logaritmo é uma operação inversa da potenciação.
Serve para resolver equações exponenciais em que não dá para igualar as bases e para trabalhar com grandezas que variam muito, como o pH, a magnitude de terremotos e os decibéis.
Iguale o logaritmo a x, confira a condição de existência, transforme em potência (ax = b) e iguale as bases para comparar os expoentes. Se isso não for possível, use a mudança de base com log ou ln.
O log, sem base escrita, é o logaritmo decimal, de base 10. O ln é o logaritmo natural, de base e ≈ 2,718.
Sim. O valor do logaritmo (o expoente) pode ser negativo, zero ou positivo. Por exemplo, log2 (1/8) = −3.
Zero, em qualquer base válida, porque a0 = 1. Ou seja, loga 1 = 0.
Porque 1x é sempre 1, o que impediria obter outros números, e bases negativas não geram potências reais para todos os expoentes. Por isso, a base precisa ser positiva e diferente de 1.
Não, no conjunto dos números reais. Uma base positiva elevada a qualquer expoente real resulta sempre em número positivo; portanto, o logaritmando precisa ser maior que zero.
Prefere aprender assistindo? A videoaula abaixo traz uma revisão do que vimos hoje. Ela faz parte do canal Ferretto Matemática no YouTube, e você também pode acompanhar as novidades no Instagram @professorferretto.
Agora que você tem o mapa completo, aprofunde cada etapa:
E, se quiser revisar os pré-requisitos, vale visitar Função exponencial: definição e condições de existência, Equações exponenciais e Números irracionais e reais (lembre-se de que o número e é irracional).
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Chegamos ao fim do guia! Esperamos que os logaritmos não sejam mais tão temidos e que, a partir de agora, você enxergue neles apenas o expoente que faltava. Um abração, bons estudos e até o próximo texto!
