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Você conhece a média geométrica? Ela se aplica a uma série de questões interessantes, inclusive nas taxas de crescimento. Acesse o texto, e entenda como utilizá-la!
A média geométrica de n números positivos é a raiz de índice n do produto desses números: MG = n√(x1 · x2 · … · xn). Ela é a média indicada para taxas de crescimento, aumentos sucessivos e grandezas que se multiplicam, como as de uma progressão geométrica.
Olá, pessoal! Tudo bem com vocês?
Hoje vamos desvendar um conteúdo de estatística que assusta um pouquinho à primeira vista, mas que fica bem tranquilo quando entendemos o motivo de cada passo: a média geométrica. Assim como as médias aritmética e harmônica, ela é uma média pitagórica.
Mas por que precisamos de mais de um tipo de média? Porque nem todos os valores se comportam da mesma forma. As notas de uma prova, por exemplo, se somam. Já os aumentos sucessivos de preço, os juros e o crescimento de uma população se multiplicam. Portanto, quando a situação envolve multiplicação, a média que representa bem os dados é a geométrica.
Por isso, vale a pena entender o raciocínio, e não apenas decorar a fórmula. Ao longo do texto, vocês vão encontrar:
Resumo rápido
|
A média geométrica é uma medida de tendência central que representa um conjunto de valores positivos por meio de um único número, obtido com produto e raiz. Dessa forma, se substituíssemos todos os valores do conjunto pela média geométrica, o produto entre eles continuaria o mesmo.
Compare com a média aritmética: nela, ao trocar todos os valores pela média, é a soma que se mantém. Essa diferença simples explica quase tudo que veremos a seguir.
Um detalhe importante: trabalhamos com valores positivos. Se algum valor for zero, o produto zera e a média também. Se houver números negativos, a raiz pode nem existir nos reais ou perder o sentido de “média”.
Seja o conjunto A formado por n números positivos: A = {x1, x2, x3, …, xn}. A média geométrica de A é a raiz enésima do produto dos n elementos. Assim, podemos escrever:
| MG = n√(x1 · x2 · x3 · … · xn) |
Nessa fórmula:

Parece complicado, não é? Então vamos simplificar: para calcular a média geométrica, multiplicamos todos os valores e depois extraímos uma raiz desse produto. O índice dessa raiz é o número de termos. Logo, com 2 termos usamos uma raiz quadrada, com 3 termos, uma raiz cúbica, com 4 termos, uma raiz quarta, e assim por diante.
Na prática, o cálculo segue sempre a mesma receita:

Enunciado: seja o conjunto A = {2, 4, 8}. Calcule a média geométrica entre os termos de A.
Resolução: reparem que temos 3 termos. Assim, multiplicamos os três valores e extraímos uma raiz cúbica (índice 3):
MG = 3√(2 · 4 · 8) = 3√64 = 4
Portanto, a média geométrica de 2, 4 e 8 é 4. Note que 4 está entre 2 e 8, como esperado. E há uma curiosidade: os números 2, 4 e 8 formam uma progressão geométrica de razão 2, e a média geométrica é justamente o termo central.
Quando o produto é grande, fatorar em números primos facilita muito. No exemplo anterior, 2 · 4 · 8 = 2 · 22 · 23 = 26. Como estamos extraindo uma raiz cúbica, basta dividir o expoente pelo índice: 6 ÷ 3 = 2. Logo, o resultado é 22 = 4. Como o Enem não permite o uso de calculadora, essa habilidade vale ouro.
Essa é uma das dúvidas mais frequentes. Ambas resumem um conjunto de valores em um único número, porém trabalham com operações diferentes. Veja o comparativo:
| Critério | Média aritmética (MA) | Média geométrica (MG) |
|---|---|---|
| Operação-base | Soma e divisão | Produto e raiz |
| Fórmula | MA = (x1 + x2 + … + xn) ÷ n | MG = n√(x1 · x2 · … · xn) |
| O que se mantém ao trocar todos os valores pela média | A soma dos valores | O produto dos valores |
| Quando usar | Valores que se somam: notas, alturas, quantidades | Valores que se multiplicam: taxas, fatores de crescimento, PG |
| Exemplo típico | Média das notas de um aluno | Taxa média de crescimento das vendas |
| Comparação | MA ≥ MG | MG ≤ MA (iguais só se todos os valores forem iguais) |
Vamos ver isso com números? Considere os valores 4 e 9:
Assim, temos MA ≥ MG ≥ MH: 6,5 ≥ 6 ≥ 5,54. Aliás, para dois números vale outra propriedade curiosa: a média geométrica é a média geométrica entre a aritmética e a harmônica, pois 6,5 · (72 ÷ 13) = 36 = 62. Quer ver as três médias lado a lado? Confira o nosso texto sobre média harmônica.
| Regra prática: se os valores se somam, use a média aritmética. Se se multiplicam (taxas, fatores, PG), use a geométrica. Se são grandezas como velocidades em percursos de mesma distância, a indicada é a harmônica. |
Agora que dominamos a fórmula, chegou a hora de ver onde ela realmente aparece. Vamos começar pela aplicação mais cobrada: a taxa média de crescimento.

Imagine uma empresa que analisou o crescimento das suas vendas ao longo de 3 anos. As taxas de crescimento de cada período foram:
| Período | 1º ano | 2º ano | 3º ano |
|---|---|---|---|
| Taxa de crescimento | 30% | 8% | 16% |
Pergunta: qual foi o crescimento médio anual das vendas dessa empresa?
Reparem que as vendas cresceram de formas diferentes a cada ano. Essa situação é muito comum no dia a dia e, por isso, o problema pede um valor único que represente o crescimento anual.
Só que existe um detalhe decisivo: em cada ano, a taxa incide sobre o valor do ano anterior, e não sobre o valor inicial. Em outras palavras, os aumentos são acumulados, e não somados.
Para visualizar, vamos supor que as vendas iniciais fossem de R$ 100.000,00. Lembrem-se de que um aumento de 30% equivale a multiplicar por 1,30 (ou seja, 1 + 0,30). Então:

Portanto, ao final do terceiro ano, as vendas chegam a R$ 162.864,00. Esse é o nosso valor de referência.

Atenção, pessoal! Se vocês ainda não entenderam bem como as taxas foram aplicadas em cada período, deem uma olhadinha no texto Porcentagem: transformação de taxas, aumentos e descontos. Lá vocês aprendem direitinho a calcular aumentos e descontos, o que deixa tudo o que vem a seguir bem mais claro.

Uma ideia natural seria calcular a média aritmética das três taxas, já que buscamos uma taxa “média”:
MA = (30% + 8% + 16%) ÷ 3 = 54% ÷ 3 = 18%
Para testar se 18% ao ano representa mesmo as três taxas, aplicamos 18% três vezes sobre R$ 100.000,00:

Ou seja, chegamos a R$ 164.303, e não aos R$ 162.864 do cálculo original. Por conseguinte, a média aritmética não produz o mesmo efeito das taxas reais. Ela superestima o crescimento.
Vamos, então, testar a média geométrica. Repare em um ponto essencial: não usamos os números 30, 8 e 16, e sim os fatores de crescimento 1,30, 1,08 e 1,16. Como são 3 termos, a raiz tem índice 3:
MG = 3√(1,30 · 1,08 · 1,16) = 3√1,62864 ≈ 1,176544
Um fator de 1,176544 corresponde a um aumento de aproximadamente 17,6544% ao ano. Agora vem a prova dos nove: aplicando essa taxa três vezes sobre R$ 100.000,00, obtemos 117.654, depois 138.425 e, por fim, 162.864.

Uau! Dessa vez o valor final coincide com o cálculo original. Logo, o crescimento médio anual das vendas dessa empresa é de aproximadamente 17,6544% ao ano.

No gráfico, vemos que as três trajetórias partem do mesmo ponto. No entanto, apenas a da média geométrica termina exatamente onde terminam as taxas reais. A da média aritmética passa um pouquinho acima.
Agora vamos entender o motivo, com um caso geral. Chamemos o valor inicial de Vi e as taxas de cada período (em %) de i1, i2 e i3. Aplicando as três taxas em sequência, o valor final é:
Vi · (1 + i1/100) · (1 + i2/100) · (1 + i3/100)
Agora, se aplicássemos uma taxa equivalente ieq nos três períodos, o valor final seria:
Vi · (1 + ieq/100)3
Como os dois valores finais precisam ser iguais, podemos igualar as expressões. O Vi aparece dos dois lados e, portanto, pode ser cancelado:
(1 + ieq/100)3 = (1 + i1/100) · (1 + i2/100) · (1 + i3/100)
Extraindo a raiz cúbica dos dois lados, chegamos a:
| 1 + ieq/100 = 3√[(1 + i1/100) · (1 + i2/100) · (1 + i3/100)] |
Vejam só: 1 + taxa média é exatamente a raiz cúbica do produto dos fatores de cada período, ou seja, é a média geométrica dos fatores. Dessa forma, fica provado por que usamos a média geométrica em aumentos sucessivos.
Para n períodos, a regra é a mesma:
| Passo | O que fazer |
|---|---|
| 1 | Transforme cada taxa em fator: f = 1 + i/100 (aumento) ou f = 1 − i/100 (queda). |
| 2 | Multiplique todos os fatores. |
| 3 | Extraia a raiz de índice n (n = número de períodos). |
| 4 | Subtraia 1 e multiplique por 100 para voltar à porcentagem. |
O nome “geométrica” não é por acaso. Em geometria, a média geométrica aparece de forma muito natural.
Quadrado com a mesma área de um retângulo. Se um retângulo tem lados a e b, o quadrado de mesma área tem lado L = √(a · b). Ou seja, o lado do quadrado é a média geométrica dos lados do retângulo. Por exemplo, para um retângulo de 4 cm por 9 cm, a área é 36 cm2. Logo, o quadrado equivalente tem lado √36 = 6 cm, que é a média geométrica de 4 e 9.

Triângulo retângulo. Nas relações métricas do triângulo retângulo, a altura h relativa à hipotenusa é a média geométrica das projeções m e n dos catetos sobre a hipotenusa, pois h2 = m · n, ou seja, h = √(m · n). Da mesma forma, cada cateto é a média geométrica entre a hipotenusa e a sua projeção. Esse tipo de média também é chamado de média proporcional.
Em uma progressão geométrica de termos positivos, cada termo é a média geométrica dos seus vizinhos. Se a, b e c são termos consecutivos, então b2 = a · c, ou seja, b = √(a · c).
Por exemplo, na PG (2, 6, 18), temos 6 = √(2 · 18) = √36. Essa propriedade é a base para encontrar termos desconhecidos e para a interpolação de meios geométricos. Se quiser aprofundar, veja também o texto sobre o termo geral da PG.
A média geométrica também está por trás de indicadores que você vê no noticiário. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) informa que os três componentes do IDHM (longevidade, educação e renda) são agrupados por meio da média geométrica. Você pode conferir a explicação na página O que é o IDHM, do PNUD Brasil.
Por que isso importa? Porque a média geométrica penaliza desequilíbrios. Veja um exemplo hipotético com três componentes de 0,9, 0,9 e 0,3:
Assim, um resultado muito baixo em uma dimensão não é “compensado” pelos bons resultados nas outras. É uma forma de dizer que todas as dimensões importam.
| Curiosidade para quem quer ir além: aplicando logaritmo na média geométrica, obtemos log(MG) = (log x1 + log x2 + … + log xn) ÷ n. Ou seja, a média geométrica é a média aritmética “no mundo dos logaritmos”. É por isso que ela lida tão bem com multiplicações. Se quiser relembrar, passe pela nossa área de Logaritmos. |
Antes de partir para os exercícios, fiquem de olho nestas armadinhas:
Chegou a hora de colocar a mão na massa! Acompanhem cada resolução e, se possível, tentem resolver antes de olhar a resposta.
Calcule a média geométrica entre 2 e 18.
Resolução: são 2 termos, então usamos uma raiz quadrada. MG = √(2 · 18) = √36 = 6.
Resposta: 6.
O preço de um produto aumentou 10% no primeiro mês, 20% no segundo e 25% no terceiro. Qual foi a taxa média mensal de aumento?
Resolução: primeiro, convertemos as taxas em fatores: 1,10, 1,20 e 1,25. Depois, calculamos a média geométrica dos três fatores:
MG = 3√(1,10 · 1,20 · 1,25) = 3√1,65 ≈ 1,1817
Por fim, subtraímos 1: 1,1817 − 1 = 0,1817. Resposta: aproximadamente 18,17% ao mês. Conferindo: 1,18173 ≈ 1,65, que é o fator acumulado dos três aumentos.
Uma ação subiu 20% em um mês e caiu 10% no mês seguinte. Qual foi a taxa média mensal nesses dois meses?
Resolução: os fatores são 1,20 (aumento) e 0,90 (queda). Como são 2 termos, usamos uma raiz quadrada:
MG = √(1,20 · 0,90) = √1,08 ≈ 1,0392
Resposta: aproximadamente 3,92% ao mês. Veja a diferença para a média aritmética: (20% − 10%) ÷ 2 = 5%. Só que 1,052 = 1,1025, ou seja, +10,25%, e o efeito real das duas variações foi de apenas +8% (1,20 · 0,90 = 1,08). Mais uma vez, a média geométrica é a que respeita o resultado acumulado.
Um retângulo tem lados de 8 cm e 18 cm. Qual é a medida do lado de um quadrado com a mesma área desse retângulo?
Resolução: a área do retângulo é 8 · 18 = 144 cm2. O lado L do quadrado deve satisfazer L2 = 144. Note que isso equivale a calcular a média geométrica dos lados: L = √(8 · 18) = √144 = 12.
Resposta: 12 cm.
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Agora é a vez de vocês! Resolvam os exercícios abaixo e confiram o gabarito comentado logo em seguida.
Exercício 1. Calcule a média geométrica das notas 4, 6 e 9.
Exercício 2. A população de uma cidade cresceu 21% em um ano e 44% no ano seguinte. Qual foi a taxa média de crescimento anual nesse período?
Exercício 3. Um investimento de R$ 1.000,00 rende 50% no primeiro ano e perde 50% no segundo. (a) Qual é o valor final? (b) Qual é a taxa média anual, calculada pela média geométrica? (c) Por que a média aritmética das taxas (0%) engana?
Exercício 4. Em um triângulo retângulo, as projeções dos catetos sobre a hipotenusa medem 5 cm e 20 cm. Qual é a medida da altura relativa à hipotenusa?
Exercício 5. Determine o valor de x para que a sequência (3, x, 48) seja uma progressão geométrica de termos positivos.
Exercício 1: 6. São 3 termos: MG = 3√(4 · 6 · 9) = 3√216 = 6.
Exercício 2: 32% ao ano. Fatores: 1,21 e 1,44. Então MG = √(1,21 · 1,44) = √1,7424 = 1,32, ou seja, 32%. Repare que a média aritmética daria 32,5%, um valor um pouco maior.
Exercício 3: (a) 1.000 × 1,5 × 0,5 = R$ 750,00. (b) MG = √(1,5 · 0,5) = √0,75 ≈ 0,866, o que corresponde a uma taxa média de aproximadamente −13,40% ao ano. (c) A média aritmética de +50% e −50% é 0%, o que sugere que não houve variação. Na realidade, houve uma perda de 25% (de R$ 1.000,00 para R$ 750,00). Portanto, para variações acumuladas, a média aritmética engana.
Exercício 4: 10 cm. Como h2 = m · n, temos h2 = 5 · 20 = 100. Logo, h = 10 cm.
Exercício 5: x = 12. Em uma PG de termos positivos, x é a média geométrica dos vizinhos: x2 = 3 · 48 = 144, logo x = 12. Conferindo: 3, 12, 48 é uma PG de razão 4.
Para fechar o estudo, que tal rever tudo em vídeo? Assista à aula abaixo e, se quiser mais conteúdo, siga o canal do Professor Ferretto no YouTube e o perfil no Instagram.
É a raiz de índice n do produto de n números positivos. Ela representa o conjunto por um único valor que, se substituísse todos os números, manteria o mesmo produto.
Multiplique todos os valores e extraia a raiz cujo índice é a quantidade de valores. Por exemplo, para 2, 4 e 8: 3√(2 · 4 · 8) = 3√64 = 4.
A aritmética usa soma e divisão, e a geométrica usa produto e raiz. Assim, a aritmética mantém a soma dos valores, e a geométrica mantém o produto. Para números positivos, a média aritmética é sempre maior ou igual à geométrica.
Quando os valores se multiplicam: taxas de crescimento, aumentos e descontos sucessivos, juros compostos, progressões geométricas e índices que combinam várias dimensões, como o IDHM.
Não. Para números positivos, a média geométrica é sempre menor ou igual à aritmética. Elas só coincidem quando todos os valores são iguais.
Com zero, o produto é zero e, portanto, a média também é zero, o que raramente faz sentido na prática. Com negativos, a raiz pode não existir nos reais ou o resultado perde o sentido de média. Por isso, trabalhamos com valores positivos.
Transforme cada taxa em fator (1 + i), calcule a média geométrica dos fatores e subtraia 1. Por exemplo, para 30%, 8% e 16%: 3√(1,30 · 1,08 · 1,16) ≈ 1,1765, ou seja, cerca de 17,65% ao ano.
Não há como garantir, mas o conceito pode aparecer em problemas de porcentagem, aumentos sucessivos, PG e relações métricas do triângulo retângulo. Logo, entender o raciocínio vale mais do que decorar a fórmula.
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Um abração! Bons estudos aí!
