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Inserir uma série de termos entre dois números dados, com o intuito de formar uma PG, nada mais é do que interpolar meios geométricos! Acesse o texto e entenda tudo sobre o assunto!
Olá, pessoal! Tudo certo?
Estudar as sequências numéricas é mesmo tão interessante que lá vamos nós de novo! No texto de hoje, vamos aprender como é possível interpolar meios geométricos, que, em outras palavras, significa inserir uma série de termos entre dois números dados, de forma que a sequência gerada seja uma progressão geométrica. E olhem só que legal a notícia que eu vou dar agora: caso vocês já saibam como interpolar meios aritméticos, será ainda mais fácil entender e utilizar os conceitos que veremos em breve — afinal, a lógica é praticamente a mesma, trocando a soma pela multiplicação.
Mas se você é alguém que estuda muito, e mesmo assim não consegue entender a matemática facilmente, algumas coisas podem estar erradas. Ou o seu método de estudo não é aquele que lhe proporciona o maior rendimento, ou então as suas fontes de estudo não estão te mostrando os conteúdos de forma didática. A matemática é simples, pessoal, e é isso que o Professor Ferretto apresenta para vocês na sua plataforma!
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Depois dessa breve introdução, nada mais justo do que iniciarmos os estudos, não é mesmo? Por isso, eu já vou logo perguntando: vocês realmente entenderam o que significa “inserir uma série de termos entre dois números dados”? Então, observem com atenção a sequência abaixo:
| (1, ___, ___, ___, 81) |
Vejam que, de fato, dois números desta sequência nos foram dados: mais precisamente o primeiro, 1, e o último, 81. Podemos ver também que existem 3 espaços entre eles, o que sugere que poderíamos inserir ali outros 3 números. Mas, se colocássemos nesses espaços 3 termos quaisquer, escolhidos ao acaso, a sequência formada continuaria sendo uma sequência qualquer, sem nenhuma definição. Portanto, se realmente desejarmos interpolar meios geométricos ali, precisaremos ter certeza de que esses 3 números formam, junto com os termos já existentes, uma PG.
Antes de seguirmos com o exemplo, vale parar um instante em dois termos que aparecem em praticamente toda questão sobre o assunto: extremos e meios. Numa PG (a₁, a₂, a₃, …, aₙ), chamamos a₁ e aₙ de extremos da sequência — são os dois valores que o enunciado sempre fornece. Já os demais termos, aqueles que ficam entre os extremos, são os meios geométricos: são exatamente os valores que precisamos descobrir.
Assim, interpolar (ou inserir) k meios geométricos entre dois números a₁ e aₙ significa construir uma PG de n = k + 2 termos, na qual a₁ é o primeiro termo e aₙ é o último. Logo, o desafio nunca é “adivinhar” os meios diretamente — é descobrir a razão q dessa nova PG. Por conseguinte, uma vez conhecida a razão, encontrar cada meio se resume a multiplicar q sucessivamente a partir do primeiro extremo.
Uma PG é uma sequência em que cada termo, a partir do segundo, é o produto do anterior por uma constante q dada.

Observando o quadro, também podemos dizer que uma PG é uma sequência em que qualquer termo, que não seja o último, pode ser obtido através do quociente entre o seu termo sucessor e a razão q, como mostram os exemplos:
| Multiplicando pela razão | Dividindo pela razão |
|---|---|
| a₂ = a₁ · q | a₇ = a₈ ÷ q |
| a₃ = a₂ · q | a₆ = a₇ ÷ q |
| a₅ = a₄ · q | a₄ = a₅ ÷ q |
| a₈ = a₇ · q | a₁ = a₂ ÷ q |
Mas o fato mais interessante é que é possível encontrar o valor de qualquer termo de uma PG, conhecendo apenas o valor de algum outro termo desta progressão e a sua razão q. Para fazer isso, basta utilizarmos a fórmula do termo geral de uma PG:
| aₙ = aₖ · qⁿ⁻ᵏ |
Nessa fórmula, aₙ é o termo qualquer que se quer descobrir (um índice genérico), aₖ é um termo já conhecido, e o expoente (n − k) representa a diferença entre os índices — ou seja, quantos “saltos” da razão q existem entre um termo e outro.
E aí, pessoal, conseguiram compreender direitinho a fórmula acima? Caso os índices n e k estejam causando confusão, mantenham a calma, porque eu vou explicar isso melhor. Digamos que vocês estejam à procura do valor numérico do 8º termo de uma PG qualquer, o a₈, mas vocês só conhecem o valor do termo a₂ e a razão q dessa progressão. Nesse caso, a₈ será o aₙ, enquanto a₂ será o aₖ, e o expoente da razão q será a diferença entre os índices: 8 − 2 = 6.
| a₈ = a₂ · q⁶ |
Uma segunda forma de enxergar o mesmo resultado é desenhar a sequência desejada e contar quantos saltos a razão q dá rumo ao termo que se procura: o número de saltos encontrado será exatamente igual ao valor do expoente da razão q. Como, nesse caso, estamos caminhando para a direita na sequência (de a₂ até a₈), o termo a₈ é igual ao produto do termo a₂ pela razão q elevada a esse expoente — exatamente o que já mostra o diagrama lá no início do texto.
Compreendido, pessoal? Agora, digamos que vocês desejem encontrar o 3º termo de uma PG qualquer, o a₃, conhecendo apenas o 7º termo dessa sequência, o a₇, e a sua razão q. Novamente, o expoente da razão é dado pela diferença entre os índices, mas, dessa vez, caminhando para a esquerda: 3 − 7 = −4.
| a₃ = a₇ · q⁻⁴ |
Pode haver um expoente negativo? A resposta é que pode, sim! Isso acontece justamente quando o termo que buscamos vem antes do termo conhecido na sequência. E, graças a uma das propriedades da potenciação, um expoente negativo pode se tornar positivo, desde que a base seja invertida:
| a⁻ⁿ = 1 / aⁿ |
Assim, é equivalente dizer que a₃ = a₇ · q⁻⁴ ou que a₃ = a₇ ÷ q⁴ — as duas expressões representam exatamente a mesma ideia: caminhar 4 saltos “para trás” na sequência.

Pessoal, nós vimos que, para uma sequência ser considerada uma progressão geométrica, deve haver uma razão q que relacione todos os seus termos. Por isso, para que seja possível interpolar meios geométricos, precisamos, sem dúvida alguma, encontrar a razão q que envolve a sequência desejada. E que fórmula seria melhor do que a do termo geral de uma PG para encontrar a razão q de uma sequência com base no seu primeiro e no seu último termo?
Voltando à sequência apresentada lá no início do texto:
| (1, ___, ___, ___, 81) |

De forma geral, para interpolar k meios geométricos entre dois extremos a₁ e aₙ, o número total de termos da PG formada é:
| n = k + 2 |
E a razão da PG é encontrada isolando q na fórmula do termo geral: aₙ = a₁ · qⁿ⁻¹ torna-se
| q = ⁿ⁻¹√(aₙ / a₁) |
Para interpolar os mais diversos meios geométricos, é preciso, sempre, conhecer a razão q que envolve a sequência de que se está tratando!
No nosso exemplo, o último termo é o a₅, já que a sequência tem 5 termos ao todo (3 meios + 2 extremos). Pela fórmula do termo geral da PG, a₅ é dado pelo produto entre o primeiro termo, a₁, e a razão q, elevada ao expoente dado pela diferença entre os índices: 5 − 1 = 4. Assim, montamos a equação:
| a₅ = a₁ · q⁴ → 81 = 1 · q⁴ → q = ⁴√81 → q = 3 |
De posse da razão q, basta multiplicar sucessivamente, a partir do primeiro termo, para encontrar os 3 meios geométricos que faltam:

Bem tranquilo, no fim das contas, não é? Então, ao nos depararmos com um caso em que se pede a interpolação dos mais diversos meios geométricos, basta seguirmos o roteiro que acabamos de ver: utilizar a fórmula do termo geral da PG para encontrar a razão q da sequência, com base no primeiro e no último termo, e depois construir a PG multiplicando q sucessivamente. Por conseguinte, de posse da razão da progressão, obter os meios geométricos desejados se torna muito simples.
Para resolver qualquer exercício de interpolação de meios geométricos, basta seguir este roteiro:
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Para mostrar que tudo o que eu disse é a mais pura verdade, vamos resolver agora três exercícios muito interessantes. Vem comigo aqui!
O primeiro detalhe em que devemos prestar atenção aqui é que se fala em 5 meios geométricos, o que significa que a ideia é formar uma progressão geométrica. Agora, o segundo detalhe: se nos são dados o primeiro e o último termo da sequência — respectivamente 2/3 e 486 — e se deseja interpolar 5 meios geométricos, é claro que a PG formada terá 7 termos ao todo, já que 5 + 2 = 7. Por isso, o último termo da sequência, de valor 486, nada mais é do que o seu 7º termo, o a₇.
| (2/3, ___, ___, ___, ___, ___, 486) → (a₁, a₂, a₃, a₄, a₅, a₆, a₇) |
Assim, a₇ é dado pelo produto entre o termo a₁ e a razão q, quando esta é elevada ao expoente dado pela diferença entre os índices: 7 − 1 = 6.
| a₇ = a₁ · q⁶ → 486 = (2/3) · q⁶ → q⁶ = 729 → q = ⁶√729 → q = 3 |
Portanto, multiplicando sucessivamente a partir de 2/3 pela razão q = 3, chegamos à PG completa:

Logo, a PG formada é (2/3, 2, 6, 18, 54, 162, 486), e os 5 meios geométricos interpolados entre 2/3 e 486 são 2, 6, 18, 54 e 162.
Esse enunciado deixa bem claro que estamos falando de uma PG. Então, só precisamos ficar atentos ao seguinte detalhe: se, novamente, dois termos são dados, e deseja-se inserir 4 meios geométricos entre eles, é claro que a progressão geométrica formada possuirá um total de 6 termos (n = 6). Assim, 480 será o primeiro termo, a₁, enquanto o número 15 será o sexto termo da sequência, o a₆. Isso nos permite concluir que o valor de a₆ é igual ao produto entre o valor de a₁ e a razão q, quando esta é elevada ao expoente dado pela diferença entre os dois índices: 6 − 1 = 5.
| (480, ___, ___, ___, ___, 15) → (a₁, a₂, a₃, a₄, a₅, a₆) |
| a₆ = a₁ · q⁵ → 15 = 480 · q⁵ → q⁵ = 15/480 = 1/32 → q = ⁵√(1/32) → q = 1/2 |
A razão da PG obtida é, portanto, q = 1/2. Nesse caso, como o primeiro termo é positivo e a razão está entre 0 e 1, trata-se de uma PG decrescente — os termos vão diminuindo (480, 240, 120, 60, 30, 15) até chegar ao segundo extremo.
Interpolando-se 4 meios geométricos entre 2 e 486, qual é o valor do terceiro termo da PG obtida?
Como são 4 meios geométricos entre os extremos 2 e 486, a PG formada terá n = 6 termos ao todo. Logo, 2 é o primeiro termo (a₁) e 486 é o sexto (a₆).
| (2, ___, ___, ___, ___, 486) → (a₁, a₂, a₃, a₄, a₅, a₆) |
| a₆ = a₁ · q⁵ → 486 = 2 · q⁵ → q⁵ = 243 → q = ⁵√243 → q = 3 |
Com a razão q = 3 em mãos, basta multiplicar sucessivamente a partir de 2 para encontrar a PG completa: (2, 6, 18, 54, 162, 486).
Logo, o terceiro termo da PG é a₃ = 18.
Agora é a sua vez! Tente resolver os dois exercícios abaixo antes de conferir a resolução — eles cobrem dois modelos que aparecem bastante em vestibulares.
Quantos meios geométricos devem ser inseridos entre 3 e 3072 para que a PG formada tenha razão igual a 2?
Resolução: usando aₙ = a₁ · qⁿ⁻¹, temos 3072 = 3 · 2ⁿ⁻¹. Logo, 2ⁿ⁻¹ = 1024 = 2¹⁰, então n − 1 = 10 e n = 11. Como n = k + 2, segue que k = 9.
Resposta: devem ser inseridos 9 meios geométricos.
Interpolando-se x meios geométricos entre 2 e 1458, a razão da PG obtida é 3. Quantos meios geométricos foram interpolados?
Resolução: pela fórmula do termo geral, aₙ = a₁ · qⁿ⁻¹. Substituindo, 1458 = 2 · 3ⁿ⁻¹, ou seja, 3ⁿ⁻¹ = 729 = 3⁶, o que dá n − 1 = 6 e n = 7. Como n = k + 2, segue que k = 5.
Resposta: foram interpolados 5 meios geométricos.
| Dica: esse é um modelo clássico de pegadinha em provas de vestibular — o enunciado costuma pedir a quantidade de meios (k), não o número total de termos (n) da PG. Antes de responder, confira sempre qual das duas grandezas foi pedida. |
| O que você quer descobrir | Fórmula |
|---|---|
| Número total de termos da PG | n = k + 2 |
| Razão da interpolação | q = ⁿ⁻¹√(aₙ / a₁) |
| Termo geral da PG | aₙ = a₁ · qⁿ⁻¹ |
| Construção dos meios, um a um | a₂ = a₁·q; a₃ = a₂·q; … |
Além de cair no ENEM e nos vestibulares, a lógica da interpolação geométrica — preencher um intervalo com passos multiplicativos de mesma razão — aparece em situações do dia a dia que seguem um crescimento ou uma queda proporcional, como:
Nota: a razão de uma interpolação geométrica pode, inclusive, ser um número irracional. Isso acontece sempre que o quociente aₙ / a₁ não for uma potência exata de expoente (n − 1) — nesses casos, a resposta costuma ser dada em forma de radical, sem exigir os meios numéricos exatos.
Bom, pessoal, definir a fórmula do termo geral da PG, de forma a encontrar a razão da sequência q que possibilita a interpolação dos mais variados meios geométricos, é relativamente simples. Só não sei se vocês repararam que o fato de a razão q possuir expoente — e ser, na maioria das vezes, a incógnita da questão — nos leva a utilizar bastante as propriedades da potenciação, além de calcular raízes de índices elevados. Por isso, é importante estar craque nessas propriedades, e também saber fatorar direitinho os valores para reescrevê-los na forma de potência, como, por exemplo:
| 81 = 3⁴ 729 = 3⁶ 32 = 2⁵ |
Praticamente tudo, em PG, se resume a duas fórmulas muito interessantes: a fórmula do termo geral de uma PG e a fórmula da soma dos termos de uma PG finita. Se vocês conhecerem direitinho essas duas fórmulas, é muito provável que não haja erro em qualquer questão que trate do assunto!
Então, se vocês não querem ficar perdidos nesses pequenos detalhes, deem uma olhada no vídeo que estou deixando em anexo no final deste texto! Lá eu mostro umas sacadas muito interessantes da potenciação, que tornam as resoluções das equações extremamente simples, além de resolver mais alguns exercícios, numa abordagem complementar à que acabamos de ver.
Além do YouTube, você também encontra dicas rápidas e resumos visuais sobre progressão geométrica no Instagram do Professor Ferretto (@professorferretto) — vale a pena seguir para não perder nenhuma novidade!
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São os termos de uma progressão geométrica que ficam entre os dois valores dados no enunciado (os extremos, a₁ e aₙ). Interpolar meios geométricos é justamente descobrir esses termos.
Primeiro, calcula-se o número total de termos com n = k + 2, sendo k a quantidade de meios pedida. Em seguida, encontra-se a razão com q = ⁿ⁻¹√(aₙ / a₁) e, a partir dela, constrói-se a sequência multiplicando q sucessivamente a partir do primeiro extremo.
Sim. Quando a razão q é negativa, os termos da PG formada alternam entre valores positivos e negativos — o mesmo comportamento de qualquer progressão geométrica de razão negativa. Isso costuma acontecer quando o quociente aₙ / a₁ é negativo e o índice da raiz (n − 1) é ímpar.
Não. Na interpolação geométrica, cada meio é obtido multiplicando o termo anterior pela razão q, formando uma PG. Já na interpolação de meios aritméticos, cada meio é obtido somando a razão r ao termo anterior, formando uma PA.
k é apenas a quantidade de termos que serão inseridos entre os dois extremos. n é o total de termos da PG já formada, incluindo os dois extremos — por isso n = k + 2. Confundir essas duas grandezas é o erro mais comum nesse tipo de questão.
Sim. Quando o quociente aₙ / a₁ não é uma potência exata de expoente (n − 1), a razão q será um número irracional (uma raiz não exata). Nesses casos, é comum a questão pedir apenas a razão em forma de radical, sem exigir os meios numéricos exatos.