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Existem alguns logaritmos cujo resultado é muito conhecido, devido as consequências que a definição dessa operação impõe. Quer facilitar seu trabalho na hora de resolver alguns logaritmos? Então, esse texto é para você!
Olá, pessoal! Como vão?
Alguns logaritmos podem ser resolvidos em poucos segundos, sem nenhuma conta, quando conhecemos bem a definição e as condições de existência dessa operação. Esses resultados prontos são as consequências da definição de logaritmo, e por isso vamos estudá-las uma a uma neste texto. Conhecer cada uma delas é de extrema importância, pois o assunto costuma ser muito cobrado, direta ou indiretamente, nas provas do ENEM e dos vestibulares!
Resposta rápida: as consequências da definição de logaritmo são cinco resultados que valem para qualquer base a com 0 < a ≠ 1: loga 1 = 0; loga a = 1; alogₐ b = b; loga x = loga y ⇔ x = y; e loga am = m.
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Antes de entrar nos detalhes, vejam o quadro-resumo. Em seguida, vamos demonstrar cada consequência e aplicá-la em exercícios.
| Nº | Consequência | Em símbolos | Condições | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| 1ª | O logaritmo de 1, em qualquer base, é zero | loga 1 = 0 | 0 < a ≠ 1 | log7 1 = 0 |
| 2ª | O logaritmo da base é sempre 1 | loga a = 1 | 0 < a ≠ 1 | log9 9 = 1 |
| 3ª | A potência de base a e expoente loga b é igual a b | alogₐ b = b | 0 < a ≠ 1 e b > 0 | 5log₅ 8 = 8 |
| 4ª | Logaritmos de mesma base são iguais se, e somente se, os logaritmandos são iguais | loga x = loga y ⇔ x = y | 0 < a ≠ 1, x > 0 e y > 0 | log2 x = log2 3 ⇒ x = 3 |
| 5ª | O logaritmo de uma potência da base é o próprio expoente | loga am = m | 0 < a ≠ 1 e m real | log3 35 = 5 |
A 5ª consequência, que muitos livros também listam, aparece por último para preservar a numeração clássica das quatro primeiras.
Bom, se vamos abordar as consequências de uma definição, então precisamos conhecer bem a definição de que estamos tratando, não é? Observem o quadro abaixo com atenção:

loga b = x ⇔ ax = b
com 0 < a ≠ 1 e b > 0
Da maneira como o logaritmo é definido nesse quadro, podemos dizer que o termo a é a base, o termo b é o logaritmando e x é o logaritmo, ou seja, o resultado da operação. Ainda é preciso lembrar das restrições: a base a deve ser sempre maior que zero e diferente de 1, enquanto o logaritmando b deve ser necessariamente maior que zero. Assim, por meio do processo de logaritmação, dizemos que a base a elevada ao expoente x resulta em b, o logaritmando.
Antes de continuarmos, vai uma dica importante: se algo dessa revisão não ficou claro, passem pelo texto Logaritmo: o que é, como calcular, propriedades e exercícios, que explica a nomenclatura dos termos e a definição. Se a dificuldade for resolver os logaritmos em si, não deixem de conferir Como calcular logaritmo: passo a passo com exercícios resolvidos. E, para entender por que a base e o logaritmando têm restrições, leiam Condição de existência dos logaritmos.
Certo, pessoal? Agora que já relembramos a definição dos logaritmos, vamos às suas consequências. Vou mostrar cada uma delas, sempre deixando claro de onde saiu cada raciocínio.

loga 1 = 0
O logaritmo da unidade, em uma certa base a, é sempre igual a zero.
Assim, podemos concluir que, quando o logaritmando de um logaritmo é igual a 1, o resultado é zero, seja qual for a base a, desde que ela respeite as restrições (0 < a ≠ 1). Por exemplo: log7 1 = 0, log10 1 = 0 e log0,5 1 = 0.
Querem saber por quê? Vamos supor que o resultado do logaritmo de 1 na base a seja um certo valor x. Nosso dever agora é resolver esse logaritmo, levando-o à sua forma exponencial e buscando uma igualdade de potências de mesma base, do jeitinho que aprendemos no texto Equações exponenciais. Tudo isso é feito para trabalharmos apenas com os expoentes, igualando-os:
Logo, loga 1 = 0. Tranquilo, não é? Vamos à próxima consequência da definição!

loga a = 1
Se, em um logaritmo, o valor do logaritmando for exatamente igual ao valor da base, então o seu resultado será sempre um.
Dessa forma, sempre que observarmos um logaritmo cuja base e cujo logaritmando têm o mesmo valor (e esse valor respeita 0 < a ≠ 1), não é necessário se preocupar com a resolução: o resultado é, com toda a certeza, a unidade, 1. Por exemplo: log5 5 = 1, log12 12 = 1 e log0,2 0,2 = 1.
Para entender como isso é possível, vamos supor novamente que o resultado do logaritmo de a na base a seja x e resolver a operação:
Portanto, loga a = 1.

alogₐ b = b
com 0 < a ≠ 1 e b > 0
Se o expoente de uma potência for um logaritmo, e o valor da base desse logaritmo for igual ao da base da potência, então o resultado será o próprio logaritmando.
Ficou difícil imaginar que dedução poderia levar a essa conclusão, não é? A verdade é que tudo parte de uma igualdade de logaritmos e da definição. Vou mostrar como isso é possível:
Quanto à dedução, podemos dizer que é bem simples, certo? Mas como memorizar todos esses detalhes na hora de aplicar essa consequência? Simples também!
Se liguem nesta dica, que vou mostrar com alguns exemplos:

2log₂ 3 = ? 5log₅ 8 = ?
Reparem que, em ambas as potências, a base da potência é igual à base do logaritmo. Nesse caso, podemos cortar ou cancelar a base da potência junto com o logaritmo e sua base, e nos restará apenas o logaritmando. Vejam só:
2log₂ 3 = 3 5log₅ 8 = 8
É claro, pessoal, que, matematicamente, esse cancelamento não faz sentido algum. Trata-se apenas de uma técnica que utilizamos para lembrar que, em casos como esses, o resultado é o próprio logaritmando.

loga x = loga y ⇔ x = y
com 0 < a ≠ 1, x > 0 e y > 0
Quando houver uma igualdade de logaritmos de mesma base, é possível trabalhar apenas com os logaritmandos, igualando-os.
Atenção às condições: os logaritmandos precisam ser positivos e a base deve respeitar 0 < a ≠ 1. A explicação é simples: se os dois logaritmos existem e são iguais a um mesmo valor t, então x = at e y = at, logo x = y.
Para que essa quarta consequência fique um pouco mais clara, vamos resolver um exercício: calcule o valor de x tal que log2 (x − 3) = log2 3. Pessoal, reparem que esse é justamente um caso de igualdade de logaritmos de mesma base. Então:
loga am = m
com 0 < a ≠ 1 e m real
Muitos livros e sites listam ainda uma quinta consequência, que usaremos no verdadeiro ou falso mais adiante: o logaritmo de uma potência da base é o próprio expoente. Por exemplo: log2 27 = 7 e log3 35 = 5.
Ela é, de certa forma, o caminho de volta da 3ª consequência. Enquanto a 3ª mostra que elevar a a um logaritmo de base a “desfaz” o logaritmo, a 5ª mostra que aplicar o logaritmo de base a a uma potência de base a “desfaz” a potência.
Logo, loga am = m. Na prática, muitas vezes precisamos reescrever o logaritmando como uma potência da base antes de aplicar a consequência. Veja: log5 25 = log5 52 = 2.
Atenção: a base do logaritmo e a base da potência precisam ser iguais. Por exemplo, log5 35 não vale 3 (veremos o porquê no verdadeiro ou falso).
É comum confundir as consequências da definição com as propriedades operatórias, já que ambas aparecem no estudo dos logaritmos. Por conseguinte, vale esclarecer o papel de cada uma:
| Aspecto | Consequências da definição | Propriedades operatórias |
|---|---|---|
| De onde vêm | Saem direto da definição, loga b = x ⇔ ax = b | São demonstradas a partir da definição e das propriedades da potenciação |
| O que fazem | Dão o resultado pronto de certos logaritmos e potências | Permitem transformar e combinar logaritmos de mesma base |
| Exemplos | loga 1 = 0 e alogₐ b = b | loga (b · c) = loga b + loga c e loga bn = n · loga b |
| Quando usar | Quando o logaritmo ou a potência “se resolve sozinho” | Quando há produtos, quocientes, potências ou bases diferentes |
Dessa forma, as consequências costumam ser o primeiro passo, e as propriedades vêm logo em seguida. Para aprofundar, leiam Propriedades operatórias dos logaritmos: produto, quociente, potência e mudança de base e treinem em Aplicando as propriedades operatórias dos logaritmos.
Bom, chegou o momento de aplicar tudo o que vimos até agora por meio de alguns exercícios. Vem comigo aqui!
O primeiro detalhe que precisamos reparar é que existe um logaritmo no expoente de uma potência. Sendo assim, em qual consequência da definição essa questão se encaixa? Na terceira, é claro! Para resolver o caso, devemos fazer com que a base da potência seja igual à base do logaritmo. Ora, 16 = 24. Então podemos substituir esse valor no cálculo:
Vejam como o cálculo ficou extremamente simples quando fizemos uso de uma das consequências da definição, além de algumas propriedades da potenciação e dos logaritmos. Se tivermos conhecimento sobre esses três fatores, nenhuma questão poderá nos deter! Vamos confirmar isso resolvendo mais um exercício.
Novamente encontramos uma potência com um logaritmo no expoente. É claro que a única consequência que se encaixa ao caso é a 3ª, mas, dessa vez, também há uma soma no expoente. Para resolver esse impasse, usamos antes mais uma propriedade da potenciação: am · an = am + n. Olhem só:
Agora, para finalizarmos com chave de ouro, vamos avaliar algumas sentenças e verificar se elas são verdadeiras ou falsas.
| Sentença | Verdadeira ou falsa? | Justificativa |
|---|---|---|
| log4 1 = 1 | Falsa | O logaritmando é 1. Portanto, o resultado só pode ser zero (1ª consequência). |
| log1 4 = 4 | Falsa | A base de um logaritmo jamais pode ser 1 (0 < a ≠ 1). |
| log4 4 = 1 | Verdadeira | Temos um caso perfeito da 2ª consequência da definição. |
| log4 1 = 0 | Verdadeira | Temos um caso perfeito da 1ª consequência da definição. |
| log5 35 = 3 | Falsa | Na forma exponencial, teríamos 53 = 35, mas 53 = 125 e 35 = 243. |
| log3 35 = 5 | Verdadeira | Na forma exponencial, 35 = 35 (5ª consequência). |
| 2log₂ 5 = 5 | Verdadeira | Caso da 3ª consequência: a base da potência é igual à base do logaritmo. |
| 2log₅ 2 = 5 | Falsa | A base da potência deve ser igual à base do logaritmo, e não ao logaritmando. |
Agora é a vez de vocês! Tentem resolver antes de olhar o gabarito.
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Por fim, vale reforçar alguns cuidados, pois são justamente essas pegadinhas que aparecem nas provas:
Em anexo, é claro, temos o vídeo desse conteúdo. Deem uma olhadinha nele: lá vocês acompanham outros exemplos e uma abordagem que complementa este texto. Para mais videoaulas de matemática, acompanhem o canal do Professor Ferretto no YouTube e o Instagram @professorferretto.
São cinco resultados que decorrem diretamente da definição, todos válidos para 0 < a ≠ 1: loga 1 = 0, loga a = 1, alogₐ b = b (com b > 0), loga x = loga y ⇔ x = y (com x > 0 e y > 0) e loga am = m.
Porque, pela definição, loga 1 = x equivale a ax = 1. Como a0 = 1 e o único expoente que leva uma base positiva e diferente de 1 ao resultado 1 é o zero, concluímos que x = 0.
Vale sempre 1. Pela definição, loga a = x equivale a ax = a, e isso só acontece quando x = 1.
Funciona porque loga b é, por definição, o expoente que se deve dar à base a para obter b. Logo, elevar a a esse expoente devolve b. O “corte” é apenas um macete visual e só vale quando a base da potência é igual à base do logaritmo.
As consequências saem direto da definição e dão o resultado pronto de certos logaritmos e potências. Já as propriedades operatórias (produto, quociente, potência e mudança de base) permitem transformar e combinar logaritmos de mesma base. Assim, as consequências costumam ser o primeiro passo, e as propriedades vêm logo depois.
Sim. Ao igualar os logaritmandos, a equação pode gerar valores que tornam algum logaritmo indefinido, ou seja, que deixam o logaritmando menor ou igual a zero. Esses valores devem ser descartados, como acontece com x = −1 no exercício proposto 4.
Dessa forma, o caminho natural de estudo segue por estes textos do blog:
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Um abração! Tenham ótimos estudos em matemática, e até logo!
