Operações com conjuntos: união, intersecção, diferença e complementar

Operações com conjuntos: união, intersecção, diferença e complementar

As 4 operações com conjuntos são conhecidas como união, intersecção, diferença e complementar. Aprenda a realizar todas elas com exemplos aqui. Vem comigo!

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As operações com conjuntos são quatro: união, intersecção, diferença e complementar. Com elas, é possível reunir, comparar, separar e completar conjuntos e, dessa forma, resolver desde exercícios de teoria até problemas de contagem do Enem e dos vestibulares.

Resposta rápida

  • União (A ∪ B): reúne os elementos que estão em A ou em B (ou em ambos), sem repetir nenhum.
  • Intersecção (A ∩ B): fica apenas com os elementos que estão em A e em B ao mesmo tempo.
  • Diferença (A − B): guarda os elementos de A que não estão em B. A ordem importa: em geral, A − B ≠ B − A.
  • Complementar: se B ⊂ A, o complementar de B em relação a A é A − B. Com um universo U fixado, o complementar de A é Ac = U − A.

 

Olá, pessoal! Tudo tranquilo por aí?

Assim como a aritmética tem as suas quatro operações fundamentais, a teoria dos conjuntos também tem as dela. Elas aparecem em exercícios de teoria e, principalmente, em problemas de contagem do Enem e dos vestibulares, como aqueles que perguntam quantos alunos praticam um esporte, mas não o outro. Por isso, dominar as operações com conjuntos é um passo importante para quem quer garantir uma vaga no ensino superior.

Neste texto, você encontra o panorama completo: a definição de cada operação, uma tabela-resumo, as propriedades, um passo a passo para resolver questões e exercícios com gabarito comentado. Além disso, ao final de cada operação, deixamos o link do texto aprofundado. Assim, você estuda cada assunto com mais calma, quando quiser. Vem comigo!

Uma observação rápida sobre a escrita: aqui no blog usamos a grafia “intersecção”, mas você também vai encontrar “interseção” em livros e sites. As duas formas são usadas no português do Brasil e significam exatamente a mesma coisa.

Antes de Começar: Conjuntos, Elementos e Diagrama de Venn

Um conjunto é uma coleção de elementos, e o que importa é apenas quem pertence a ele: a ordem não conta e nenhum elemento se repete. Para enxergar as operações, usamos o diagrama de Venn, em que cada conjunto é uma figura fechada e os elementos ficam dentro dela.

Dois conjuntos podem se relacionar de três maneiras: ter alguns elementos em comum, não ter nenhum (são os conjuntos disjuntos) ou um estar inteiro dentro do outro (um é subconjunto do outro). Se algum desses termos ainda soa estranho, vale uma passada pelos textos Introdução aos Conjuntos e Subconjuntos e Conjunto das Partes antes de seguir.

Tabela-Resumo das Operações com Conjuntos

Antes de estudar cada operação em detalhe, observe a visão geral. Nos exemplos da tabela, usamos o universo U = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10} e os conjuntos A = {1, 2, 3, 4, 5, 6} e B = {5, 6, 7, 8}.

Operação Definição Ideia Exemplo
União A ∪ B Elementos que pertencem a A ou a B (ou a ambos) “ou” A ∪ B = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8}
Intersecção A ∩ B Elementos que pertencem a A e a B ao mesmo tempo “e” A ∩ B = {5, 6}
Diferença A − B Elementos de A que não pertencem a B “mas não” A − B = {1, 2, 3, 4}

B − A = {7, 8}

Complementar Ac Elementos do universo U que não pertencem a A (ou A − B, quando B ⊂ A) “o que falta” Ac = {7, 8, 9, 10}

Resumo visual das operações com conjuntos em diagramas de Venn: união A ∪ B, intersecção A ∩ B, diferença A − B e complementar de A em relação ao universo (U − A)

União de Conjuntos (A ∪ B)

Dados dois conjuntos A e B, chama-se união de A e B o conjunto formado pelos elementos que pertencem a A ou a B.

Diagrama de Venn com os conjuntos A e B sobrepostos e as duas regiões pintadas de rosa, representando a união A ∪ B

Em símbolos, escrevemos A ∪ B = {x | x ∈ A ou x ∈ B}. Na matemática, o “ou” é inclusivo: o elemento que está nos dois conjuntos também entra na união, mas aparece uma única vez. Logo, a união sempre reúne todos os elementos dos conjuntos envolvidos. Para não confundir os símbolos, lembre-se de que ∪ parece a letra U de União.

Exemplos de união de conjuntos

Dados os conjuntos A = {a, b}, B = {c, d, e} e C = {b, c, d}, vamos determinar:

  • A ∪ B = {a, b, c, d, e}
  • A ∪ C = {a, b, c, d}
  • B ∪ C = {b, c, d, e}

Reparem que, em A ∪ C, o elemento b pertence aos dois conjuntos, mas aparece apenas uma vez no resultado.

Representação da união no diagrama

Quando os conjuntos são desenhados em forma de diagrama, fica ainda mais fácil determinar a união entre eles. Basta destacar toda a região ocupada pelos dois diagramas:

Diagrama com os conjuntos A = {a, b} e B = {c, d, e} separados e hachurados, representando a união A ∪ B

Diagrama dos conjuntos A e C, com o elemento b na região comum, ambos hachurados, representando a união A ∪ C

Diagrama dos conjuntos B e C, com c e d na região comum, ambos hachurados, representando a união B ∪ C

Quer ver as propriedades da união e resolver mais exercícios? Acesse o texto União e Intersecção de Conjuntos. E, para aprender a contar os elementos da união, confira Número de Elementos da União.

Intersecção de Conjuntos (A ∩ B)

Dados dois conjuntos A e B, chama-se intersecção de A e B o conjunto formado pelos elementos que pertencem a A e a B.

Diagrama de Venn com os conjuntos A e B sobrepostos e só a região comum pintada de rosa, representando a intersecção A ∩ B

Em símbolos, A ∩ B = {x | x ∈ A e x ∈ B}. Aqui, o “e” exige que o elemento esteja nos dois conjuntos ao mesmo tempo. Portanto, a intersecção reúne apenas os elementos comuns. Quando A e B não têm nenhum elemento em comum, dizemos que são conjuntos disjuntos, e a intersecção entre eles é o conjunto vazio (∅).

Exemplos de intersecção de conjuntos

Com os mesmos conjuntos A = {a, b}, B = {c, d, e} e C = {b, c, d}, temos:

  • A ∩ B = ∅
  • A ∩ C = {b}
  • B ∩ C = {c, d}

No primeiro caso, A e B são disjuntos. Por conseguinte, não existe elemento algum para destacar.

Representação da intersecção no diagrama

Agora, destacamos somente a região comum aos dois diagramas. Quando os conjuntos são disjuntos, não há região comum e, por isso, nada é destacado.

Diagrama dos conjuntos disjuntos A e B sem nenhuma região destacada, pois a intersecção A ∩ B é o conjunto vazio

Diagrama dos conjuntos A e C com a região comum hachurada, que contém o elemento b, representando a intersecção A ∩ C

Diagrama dos conjuntos B e C com a região comum hachurada, que contém c e d, representando a intersecção B ∩ C

Entendeu a ideia? Para se aprofundar, o texto União e Intersecção de Conjuntos reúne as propriedades das duas operações e vários exemplos resolvidos.

Diferença entre Dois Conjuntos (A − B)

Dados dois conjuntos A e B, chama-se diferença entre A e B o conjunto formado pelos elementos de A que não pertencem a B.

Em símbolos, A − B = {x | x ∈ A e x ∉ B}. Na prática, retiramos de A todos os elementos que também pertencem a B. Já na diferença B − A, o caminho se inverte: retiramos de B os elementos que também estão em A. Dessa forma, a ordem importa, e A − B costuma ser diferente de B − A.

Dois diagramas de Venn: no primeiro, só a parte de A fora de B está pintada (A − B); no segundo, só a parte de B fora de A (B − A)

Exemplos de diferença entre conjuntos

Com A = {a, b}, B = {c, d, e} e C = {b, c, d}, obtemos:

  • A − B = {a, b} = A
  • B − A = {c, d, e} = B
  • A − C = {a}
  • C − A = {c, d}
  • B − C = {e}
  • C − B = {b}

Perceberam que, quando os conjuntos são disjuntos, não há o que retirar? Logo, A − B = A e B − A = B. E, no sentido contrário, se A ⊂ B, então A − B = ∅, pois todos os elementos de A são retirados.

Representação da diferença no diagrama

No diagrama, destacamos apenas a parte do primeiro conjunto que não pertence ao segundo. Se a operação é A − B, destacamos os elementos exclusivos de A; se é B − A, os exclusivos de B.

Diagramas dos conjuntos disjuntos A e B: A hachurado representa A − B = A e B hachurado representa B − A = B

Diagramas dos conjuntos A e C: a parte de A fora de C, hachurada, representa A − C = {a}; a parte de C fora de A representa C − A = {c, d}

Diagramas dos conjuntos B e C: a parte de B fora de C, hachurada, representa B − C = {e}; a parte de C fora de B representa C − B = {b}

A diferença pode parecer confusa no início, mas ganha clareza com a prática. No texto Diferença entre dois Conjuntos, resolvemos uma série de exercícios sobre essa operação.

Complementar de um Conjunto

O complementar tem esse nome porque indica o que falta para completar um conjunto. Nos livros e nas provas, você vai encontrá-lo de duas formas, mas as duas expressam a mesma ideia.

Complementar em relação a outro conjunto (B ⊂ A)

Dados dois conjuntos A e B, tais que B ⊂ A, chama-se complementar de B em relação a A o conjunto A − B.

Reparem na condição: o complementar de B em relação a A só existe quando B está contido em A, ou seja, quando B é subconjunto de A. Fora dessa situação, podemos calcular a diferença entre os conjuntos, mas não o complementar.

Diagrama com o conjunto B dentro do conjunto A e a região de A fora de B pintada de rosa, que representa o complementar de B em relação a A

Atenção: neste exemplo, o conjunto B é diferente do utilizado nas seções anteriores. Dados A = {a, b}, B = {a, b, c, d, e} e C = {b, c, d}, note que A ⊂ B e C ⊂ B. Assim:

  • O complementar de A em relação a B Símbolo do complementar de A em relação a B: letra C com B embaixo e A em cima é B − A = {c, d, e}.
  • O complementar de C em relação a B Símbolo do complementar de C em relação a B: letra C com B embaixo e C em cima é B − C = {a, e}.

Alt-text das duas imagens de símbolo acima (já publicadas: complementar-de-A-em-relacao-a-B.png e complementar-de-C-em-relacao-a-B.png): “Símbolo do complementar de A em relação a B: letra C com B embaixo e A em cima” e “Símbolo do complementar de C em relação a B: letra C com B embaixo e C em cima”.

Nos diagramas, destacamos a região de B que fica fora do subconjunto:

Diagramas do conjunto B contendo A (à esquerda) e contendo C (à direita), com a região fora do subconjunto hachurada, representando B − A e B − C

Complementar em relação ao universo (Ac = U − A)

Em muitos problemas, o conjunto maior é o universo U, isto é, o conjunto de todos os elementos considerados na situação. Nesse caso, o complementar de A é o conjunto de todos os elementos de U que não pertencem a A: Ac = U − A. Também é comum vê-lo escrito com uma barra sobre a letra. Na prática, é o caso anterior, apenas com U no papel de conjunto maior.

Por exemplo, com U = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10} e A = {1, 2, 3, 4, 5, 6}, o complementar é Ac = {7, 8, 9, 10}.

Diagrama com o conjunto A dentro do universo U e toda a região fora de A pintada de rosa, representando o complementar de A, ou seja, U − A

Atenção: o complementar depende do universo escolhido. Se trocarmos U por {1, 2, …, 12}, o mesmo conjunto A passa a ter Ac = {7, 8, 9, 10, 11, 12}. Por isso, antes de calcular, sempre confirme qual é o universo do problema.

O texto Complementar de um Conjunto traz um macete para memorizar a notação, as propriedades e as Leis de De Morgan.

Como Reconhecer Cada Operação no Enunciado

Nas questões de prova, os símbolos quase nunca aparecem: o enunciado traz palavras. Por isso, a tabela a seguir ajuda a traduzir cada expressão para a operação correta. Nos exemplos, F é o conjunto dos alunos que praticam futebol e V, o dos que praticam vôlei.

Palavras no enunciado Operação Exemplo de pergunta
“ou”, “pelo menos um”, “reunindo” União F ∪ V Quantos alunos praticam pelo menos um dos dois esportes?
“e”, “ambos”, “ao mesmo tempo”, “em comum” Intersecção F ∩ V Quantos alunos praticam os dois esportes?
“apenas”, “somente”, “mas não” Diferença F − V Quantos alunos praticam apenas futebol?
“nenhum”, “não”, “o restante” Complementar (F ∪ V)c Quantos alunos não praticam nenhum dos dois esportes?

 

Observe, portanto, que “nenhum dos dois” corresponde ao complementar da união.

Propriedades das Operações com Conjuntos

As propriedades ajudam a simplificar expressões e a conferir resultados. Todas valem para quaisquer conjuntos A, B e C de um mesmo universo U.

Propriedades da união e da intersecção

Propriedade União Intersecção
Idempotente A ∪ A = A A ∩ A = A
Comutativa A ∪ B = B ∪ A A ∩ B = B ∩ A
Associativa (A ∪ B) ∪ C = A ∪ (B ∪ C) (A ∩ B) ∩ C = A ∩ (B ∩ C)
Elemento neutro A ∪ ∅ = A A ∩ U = A
Distributiva A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ (A ∪ C) A ∩ (B ∪ C) = (A ∩ B) ∪ (A ∩ C)
Se A ⊂ B A ∪ B = B A ∩ B = A

 

A propriedade distributiva costuma gerar mais dúvidas. Ela permite “abrir” parênteses, como fazemos na multiplicação sobre a soma, só que aqui as duas operações se distribuem uma sobre a outra. Para ver cada propriedade explicada com calma, acesse União e Intersecção de Conjuntos.

Diferença, complementar e Leis de De Morgan

Propriedade Fórmula Em palavras
União com o complementar A ∪ Ac = U Um conjunto e o seu complementar juntos formam o universo
Intersecção com o complementar A ∩ Ac = ∅ Um conjunto e o seu complementar não têm elementos em comum
Complementar do complementar (Ac)c = A Complementar duas vezes devolve o conjunto original
1ª Lei de De Morgan (A ∪ B)c = Ac ∩ Bc O complementar da união é a intersecção dos complementares
2ª Lei de De Morgan (A ∩ B)c = Ac ∪ Bc O complementar da intersecção é a união dos complementares
Diferença como intersecção A − B = A ∩ Bc Retirar B de A é ficar com o que está em A e fora de B
Diferença não comutativa A − B ≠ B − A (em geral) A ordem dos conjuntos muda o resultado

Número de elementos

Quando os conjuntos são finitos, usamos n(A) para indicar o número de elementos de A. Assim, valem as seguintes relações:

  • União: n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B). Subtraímos a intersecção para não contar duas vezes os elementos comuns.
  • Diferença: n(A − B) = n(A) − n(A ∩ B).
  • Complementar: n(Ac) = n(U) − n(A).

Para o caso de três conjuntos e mais exemplos, confira Número de Elementos da União.

Diferença Simétrica: a Operação Bônus

Além das quatro operações clássicas, existe a diferença simétrica, indicada por A Δ B. Ela reúne os elementos que estão em exatamente um dos dois conjuntos, ou seja, A Δ B = (A − B) ∪ (B − A).

Com A = {1, 2, 3, 4, 5, 6} e B = {5, 6, 7, 8}, temos A − B = {1, 2, 3, 4} e B − A = {7, 8}. Logo, A Δ B = {1, 2, 3, 4, 7, 8}. Repare que o resultado é a união sem a intersecção: (A ∪ B) − (A ∩ B).

Passo a Passo para Resolver Operações com Conjuntos

Diante de qualquer exercício, siga este roteiro:

  1. Identifique os conjuntos e, se houver, o universo U do problema.
  2. Escreva os elementos de cada conjunto ou desenhe o diagrama de Venn.
  3. Resolva primeiro os parênteses e, em seguida, os complementares. Na dúvida, use parênteses para deixar a ordem clara.
  4. Aplique a definição: “ou” indica união, “e” indica intersecção, “mas não” indica diferença e “o que falta” indica complementar.
  5. Confira o resultado: há elementos repetidos? A ordem da diferença foi respeitada? O complementar usou o universo certo?

Exemplo resolvido com operações encadeadas

Dados U = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8}, A = {1, 2, 3, 4}, B = {3, 4, 5, 6} e C = {2, 4, 6, 8}, determine: a) (A ∪ B) ∩ C; b) A − (B ∪ C); c) (A ∩ B)c.

Resolução:

  • a) Primeiro, A ∪ B = {1, 2, 3, 4, 5, 6}. Em seguida, buscamos os elementos desse conjunto que também estão em C. Portanto, (A ∪ B) ∩ C = {2, 4, 6}.
  • b) Primeiro, B ∪ C = {2, 3, 4, 5, 6, 8}. Retirando esses elementos de A, sobra apenas o 1. Logo, A − (B ∪ C) = {1}.
  • c) Primeiro, A ∩ B = {3, 4}. O complementar, em relação a U, é formado pelos elementos de U que não estão em {3, 4}. Assim, (A ∩ B)c = {1, 2, 5, 6, 7, 8}.

Operações com Conjuntos na Reta Real: Intervalos

Quando os conjuntos são intervalos da reta real, as mesmas operações continuam valendo. O truque é desenhar uma reta para cada intervalo, alinhadas uma sob a outra, e ler a sobreposição. A bolinha fechada indica que o extremo pertence ao intervalo; a bolinha aberta indica que não pertence.

Sejam A = [−1, 3] e B = (1, 5). Observe o resultado de cada operação:

Cinco retas reais mostrando A = [−1, 3], B = (1, 5), A ∩ B = (1, 3], A ∪ B = [−1, 5) e A − B = [−1, 1], com bolinhas abertas e fechadas nos extremos

  • A ∩ B = (1, 3]: o 1 fica de fora, porque não pertence a B; já o 3 entra, porque pertence aos dois intervalos.
  • A ∪ B = [−1, 5): o −1 entra por pertencer a A; o 5 fica de fora, porque não pertence a nenhum dos dois.
  • A − B = [−1, 1]: retiramos de A tudo o que está em B. Como o 1 não pertence a B, ele permanece no resultado.

Dessa forma, cada extremo se decide com uma pergunta simples: ele pertence a A? Pertence a B?

Erros Comuns ao Operar com Conjuntos

Antes de partir para os exercícios, veja os deslizes que mais aparecem nas provas:

  1. Trocar união por intersecção. Lembre-se: “ou” pede a união; “e” pede a intersecção.
  2. Repetir elementos na união. Conjuntos não repetem elementos; o que está nos dois entra uma única vez.
  3. Inverter a ordem da diferença. A − B e B − A são, em geral, conjuntos diferentes.
  4. Calcular o complementar sem definir o universo. Sem U, o complementar não tem como ser determinado. E, quando se usa a definição “em relação a A”, é preciso conferir se B ⊂ A.
  5. Esquecer as chaves no resultado. O resultado de A ∩ B é sempre um conjunto: escreve-se {5}, e não 5.
  6. Ignorar o conjunto vazio. A intersecção de conjuntos disjuntos é ∅, e não “não existe resposta”.

Exercícios Propostos de Operações com Conjuntos (com Gabarito)

Os exercícios a seguir foram elaborados para este texto, no estilo do Enem e dos vestibulares. Tente resolver sozinho antes de conferir o gabarito comentado.

1) Dados A = {1, 2, 3, 4, 5, 6}, B = {2, 4, 6, 8} e C = {3, 6, 9}, determine: a) A ∪ B; b) A ∩ C; c) B − C; d) C − A.

2) Considere o universo U = {1, 2, 3, …, 10}, o conjunto A dos números pares de U e o conjunto B dos múltiplos de 3 de U. Determine A ∩ B, (A ∪ B)c e Ac ∩ Bc. O que você observa?

3) Sejam A = {a, b, c, d, e, f} e B = {b, d, f}. a) Determine o complementar de B em relação a A. b) Existe o complementar de A em relação a B? Justifique.

4) Em uma turma de 40 alunos, 25 praticam futebol, 18 praticam vôlei e 7 praticam os dois esportes. Quantos alunos: a) praticam pelo menos um dos dois esportes? b) praticam apenas futebol? c) não praticam nenhum dos dois?

5) Dados os intervalos A = [−2, 4) e B = (1, 7], determine A ∩ B, A ∪ B e A − B.

6) Julgue cada afirmação como verdadeira (V) ou falsa (F), considerando conjuntos quaisquer A e B de um universo U: a) A − B = B − A; b) A ∩ B ⊂ A ∪ B; c) se A ⊂ B, então A ∪ B = B; d) (A ∩ B)c = Ac ∩ Bc.

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Gabarito comentado

1) a) Reunimos todos os elementos, sem repetir: A ∪ B = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 8}. b) Os elementos comuns a A e C são 3 e 6: A ∩ C = {3, 6}. c) Retiramos de B o elemento 6, que também está em C: B − C = {2, 4, 8}. d) Dos elementos de C, apenas o 9 não pertence a A: C − A = {9}.

2) Temos A = {2, 4, 6, 8, 10} e B = {3, 6, 9}. Assim, A ∩ B = {6}. Como A ∪ B = {2, 3, 4, 6, 8, 9, 10}, o complementar é (A ∪ B)c = {1, 5, 7}. Por outro lado, Ac = {1, 3, 5, 7, 9} e Bc = {1, 2, 4, 5, 7, 8, 10}, logo Ac ∩ Bc = {1, 5, 7}. Os dois resultados são iguais, o que confirma a 1ª Lei de De Morgan.

3) a) Como todos os elementos de B (b, d e f) pertencem a A, temos B ⊂ A. Logo, o complementar de B em relação a A é A − B = {a, c, e}. b) Não. Para existir o complementar de A em relação a B, seria necessário que A ⊂ B, mas isso é falso: o elemento a pertence a A e não pertence a B.

4) Os 7 alunos que praticam os dois esportes pertencem à intersecção. a) Pela fórmula, n(F ∪ V) = 25 + 18 − 7 = 36 alunos. b) Apenas futebol: 25 − 7 = 18 alunos. c) Os que não praticam nenhum formam o complementar da união: 40 − 36 = 4 alunos. Para conferir, o diagrama abaixo mostra as quatro regiões (18 + 7 + 11 + 4 = 40).

Diagrama de Venn do exercício com 40 alunos: 18 praticam só futebol, 7 praticam os dois esportes, 11 só vôlei e 4 não praticam nenhum

5) A ∩ B = (1, 4): o 1 não pertence a B e o 4 não pertence a A. A ∪ B = [−2, 7]: o −2 entra por A, o 7 entra por B e, como os intervalos se sobrepõem, não há “buraco” no meio. A − B = [−2, 1]: retiramos de A tudo o que está em B e, como o 1 não pertence a B, ele permanece.

6) a) Falsa. Em geral, A − B ≠ B − A. Por exemplo, com A = {1, 2} e B = {2, 3}, temos A − B = {1} e B − A = {3}. b) Verdadeira. Todo elemento comum a A e a B pertence a A e, portanto, também pertence a A ∪ B. c) Verdadeira. Se A ⊂ B, todos os elementos de A já estão em B; logo, a união não acrescenta nada. d) Falsa. O correto é (A ∩ B)c = Ac ∪ Bc. Com U = {1, 2, 3, 4}, A = {1, 2} e B = {2, 3}, temos (A ∩ B)c = {1, 3, 4}, enquanto Ac ∩ Bc = {4}.

Operações com Conjuntos no Enem e nos Vestibulares

Nas provas, as operações costumam aparecer disfarçadas em problemas de contagem, como pesquisas de opinião, grupos de alunos que praticam esportes ou que falam idiomas. O caminho é traduzir as palavras do enunciado em operações (veja a tabela mais acima) e organizar os dados em um diagrama de Venn, começando sempre pela intersecção. Dessa forma, evitamos o erro mais comum: somar duas vezes quem está nos dois conjuntos.

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Videoaulas sobre Operações com Conjuntos

Para fixar o conteúdo, assista aos vídeos a seguir. Neles, resolvemos questões de vestibulares que envolvem a teoria dos conjuntos e as operações com conjuntos, em níveis básico, intermediário e avançado.

E se você quer mais resoluções e dicas rápidas, inscreva-se no canal do Professor Ferretto no YouTube e acompanhe o Instagram @professorferretto.

Perguntas Frequentes sobre Operações com Conjuntos

Quais são as operações com conjuntos?

As quatro operações principais são a união (∪), a intersecção (∩), a diferença (−) e o complementar. Existe ainda a diferença simétrica (Δ), menos citada, que reúne os elementos que estão em exatamente um dos dois conjuntos.

Qual a diferença entre união e intersecção?

Na união, basta que o elemento pertença a um dos conjuntos (“ou”). Na intersecção, o elemento precisa pertencer aos dois ao mesmo tempo (“e”). Por isso, A ∩ B ⊂ A ⊂ A ∪ B.

A diferença entre conjuntos é comutativa?

Não. Em geral, A − B é diferente de B − A. Os dois resultados só coincidem quando A = B.

Qual a diferença entre diferença e complementar?

A diferença A − B existe para quaisquer conjuntos A e B. Já o complementar de B em relação a A é a diferença A − B no caso particular em que B está contido em A. Com o universo U fixado, o complementar de A é U − A.

O que é o conjunto universo e por que ele importa?

O conjunto universo U reúne todos os elementos considerados no problema. Ele importa porque o complementar de A é U − A: se o universo muda, o complementar também muda. Por exemplo, com A = {1, 2, 3} e U = {1, 2, …, 5}, Ac = {4, 5}; com U = {1, 2, …, 8}, Ac = {4, 5, 6, 7, 8}.

Como calcular o número de elementos da união?

Usamos n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B). Subtraímos a intersecção para não contar duas vezes os elementos que estão nos dois conjuntos. O passo a passo, inclusive para três conjuntos, está no texto Número de Elementos da União.

Intersecção ou interseção: qual grafia está correta?

As duas grafias são usadas em livros e materiais didáticos brasileiros e significam exatamente a mesma coisa. Neste blog, adotamos “intersecção”.

Operações com conjuntos caem no Enem?

Sim, principalmente em problemas de contagem com pesquisas de opinião, que se resolvem com diagrama de Venn. Para ver a incidência dos temas nas últimas provas, consulte o ENEM’s Anatomy.

Como resolver problemas de contagem com diagrama de Venn?

Comece pela intersecção, depois preencha as partes exclusivas de cada conjunto e, por fim, os elementos que ficam fora de todos. Confira se a soma das regiões é igual ao total do enunciado.

Continue Aprendendo sobre Conjuntos

Agora que você já tem a visão geral, aprofunde cada assunto nos textos do blog:

Resumo e Dica Final

Mascote ninja do Professor Ferretto, com a letra F no uniforme, apresentando a dica final do texto

Em resumo, a união reúne (∪, “ou”), a intersecção filtra (∩, “e”), a diferença separa (−, “mas não”) e o complementar completa (“o que falta”). Portanto, a dica final é simples: na dúvida, desenhe os conjuntos na forma de diagrama. Com as regiões de interesse destacadas, qualquer uma das operações com conjuntos fica muito mais fácil de resolver.

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Um abraço a todos e até o próximo texto!

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