Resposta rápida: o Inep liberou o Cartão de Confirmação do Enem 2026 na terça-feira, 27 de outubro. Para ver o...
O complementar de um conjunto é obtido através da operação de diferença entre dois conjuntos. Vem comigo aqui e saiba tudo sobre esse assunto!
O complementar de um conjunto B em relação a um conjunto A (com B ⊂ A) nada mais é do que a diferença entre os conjuntos A e B (A – B), isto é, tudo o que falta a B para se tornar A.
Resposta rápida
|
Olá, pessoal! Tudo tranquilo?
Vamos começar este texto com uma pergunta: o que significa “complementar” algo? Não parece, mas o significado dessa palavra pode nos ajudar a entender mais uma operação entre conjuntos. Depois da superdica que será apresentada daqui a pouco, eu garanto que vocês jamais esquecerão como obter o complementar de um conjunto em relação a outro!
Como o assunto costuma gerar dúvidas, vamos por partes: primeiro a definição e a notação, depois o cálculo na prática, o complementar em relação ao universo, as propriedades (incluindo as Leis de De Morgan) e, por fim, questões de prova resolvidas e exercícios propostos com gabarito.
Certo, pessoal? Então não nos resta outra opção senão iniciar o texto. Vem comigo!

Dados dois conjuntos A e B, tais que B ⊂ A, chama-se complementar de B em relação a A, o conjunto A – B.
O primeiro fato ao qual devemos ficar atentos nessa definição, é que existe uma condição para que um conjunto complementar a outro exista. São dados dois conjuntos A e B, tais que B ⊂ A. Em símbolos, isso significa que, necessariamente, para que haja o cálculo do conjunto complementar de B em relação a A, B deve estar contido em A, ou seja, B deve ser subconjunto de A. Então, pessoal, caso vocês se deparem com conjuntos disjuntos, ou ainda, com conjuntos que possuem apenas alguns elementos em comum, não será possível obter o conjunto complementar de um deles em relação ao outro. Esse é um conceito que diz respeito apenas a uma relação de conjunto e subconjunto!

Quem reparou no quadro apresentado logo acima no texto, percebeu que existe uma maneira curiosa de representar o conjunto complementar de B em relação a A. Não parece, mas a ordem em que B e A são representados junto ao símbolo importa. Se nos referirmos ao complementar de B em relação a A, então o B ficará acima do A no símbolo. Do contrário, ou seja, se o complementar de A em relação a B for representado, então é claro que A ficará acima de B no símbolo, e pronto. Lembrando, é claro, que para encontrarmos o complementar de A em relação a B, A deve ser subconjunto de B (A ⊂ B).

Atenção, pessoal: os dois quadros acima não descrevem situações simultâneas. Como o complementar de B em relação a A exige B ⊂ A, e o complementar de A em relação a B exige A ⊂ B, os dois só existiriam ao mesmo tempo se A = B — e, nesse caso, ambos seriam o conjunto vazio. Portanto, para cada par de conjuntos, a própria relação de inclusão já indica qual dos dois cálculos é possível.
Como vocês vão encontrar o complementar escrito de formas diferentes em livros, provas e videoaulas, vale conhecer as principais notações. Todas representam a mesma ideia: o que falta para completar o conjunto maior.
| Notação | Como se lê | Quando aparece |
|---|---|---|
| CBA
(B em cima, A embaixo) |
Complementar de B em relação a A | Quando B ⊂ A. É a notação dos quadros deste texto. |
| Ac | Complementar de A (em relação ao universo U) | Quando existe um conjunto universo U definido. Nesse caso, Ac = U – A. |
| Ā ou A′ | Complementar de A | Variações de Ac que aparecem em livros e questões de prova. |
Portanto, Ac é simplesmente o caso em que o conjunto maior é o universo: Ac = CAU. Neste texto, usamos CBA nas primeiras seções e Ac quando falamos do universo e das propriedades.
Falamos da restrição, da representação, e agora, precisamos entender de fato como obter o complementar de um conjunto. Pela definição, e através dos quadros acima, sabemos que se trata de uma operação de diferença entre conjuntos. Vamos relembrar na sequência como resolvê-la. Sigam comigo!

O complementar de B em relação a A é o conjunto A – B. Isso porque, em termos de símbolo, para obtermos a operação de diferença que devemos realizar, é só manter o conjunto que está embaixo no símbolo, e descontar dele o conjunto que está em cima.
Se vocês quiserem praticar exclusivamente essa conta — passo a passo, com mais exemplos de A – B e B – A, inclusive quando os conjuntos são disjuntos — o artigo Diferença entre dois Conjuntos é o lugar certo. Aqui, a gente vai além: aprofunda o complementar em si, suas propriedades e como ele cai em prova.
Na prática, quando realizamos a operação A – B, obtemos como resultado um conjunto formado pelos elementos que pertencem a A mas não pertencem a B. Em outras palavras, o conjunto diferença entre A e B é formado por elementos que pertencem exclusivamente a A, quando comparados com os elementos de B.
Como o complementar é calculado por meio da diferença, é comum confundir os dois conceitos. A tabela a seguir resume o que muda de um para o outro.
| Aspecto | Diferença A – B | Complementar de B em relação a A |
|---|---|---|
| Quando existe | Para quaisquer conjuntos A e B | Somente quando B ⊂ A |
| Como se calcula | Retiramos de A os elementos que também pertencem a B | Do mesmo jeito: CBA = A – B |
| Notação | A – B | CBA (ou Bc, quando A é o universo U) |
| Ideia | “O que sobra de A depois de tirar B” | “O que falta a B para se tornar A” |
| Onde aprofundar | Diferença entre dois Conjuntos | Este texto |
Portanto, todo complementar é uma diferença, mas nem toda diferença é um complementar. Dessa forma, quando B não está contido em A, só podemos falar em A – B; o complementar, nesse caso, simplesmente não existe.
Querem ver como funciona? Não há melhor maneira de entendermos o caso do que utilizando um exemplo resolvido. Vamos lá!

Sendo A = {5, 6, 7, 8, 9, 10} e B = {5, 10}. Calcule o complementar de B em relação a A.
Obter o conjunto complementar de B em relação a A, ou a diferença entre A e B, é fácil, pessoal! Basta observar os elementos que pertencem a B, e descontá-los, tirá-los, ou riscá-los do conjunto A. Os elementos que restarem formarão o conjunto complementar que tanto buscamos.

Reparem que o resultado obtido acima, é um conjunto formado por elementos que pertencem apenas a A. É por isso que falamos anteriormente em elementos exclusivos de A. Caso vocês estejam confusos quanto à operação que realizamos, é só dar uma olhada no texto sobre a diferença entre dois conjuntos. Lá eu resolvo uma série de exemplos como esse, que tornam o conceito muito mais claro.

Pessoal, é aí que entra a dica que eu mencionei lá no início do texto. Sigam comigo até o próximo item!

Para quem ainda não foi lá no dicionário e descobriu o que significa complementar, chegou a tão esperada dica ninja de hoje! Complementar algo significa preencher o que falta a esse algo. Trazendo essa ideia para o contexto de conjuntos, o complementar de B em relação a A, é tudo o que falta para B se tornar A! Da mesma forma, o complementar de A em relação a B, é tudo que falta para A se tornar B. Aí a nomeação do conjunto faz todo o sentido!

As representações em forma de diagrama da imagem acima tornam o conceito muito mais claro, não é mesmo? Reparem no diagrama mais a esquerda, que representa o complementar de B em relação a A. Nele, fica evidente que B é subconjunto de A, e que a região destacada é aquela em que se localizam os elementos exclusivos de A. Se esses elementos também fizessem parte do conjunto B, B seria igual a A.
O mesmo pode ser observado no diagrama a direita, que representa o complementar de A em relação a B. Agora, A é subconjunto de B, e se todos os elementos exclusivos de B, que se localizam na região destacada, também fizessem parte de A, A seria igual a B.
Entendido? Antes dos exercícios, vamos conhecer a outra forma de enxergar o complementar, aquela em que o conjunto maior é o conjunto universo. Vem comigo aqui!
Até aqui, o conjunto maior era sempre um dos conjuntos do problema (o A). Só que, em muitas questões — principalmente de prova —, o conjunto maior é o conjunto universo U, isto é, o conjunto de todos os elementos considerados na situação. Nesse caso, falamos simplesmente em complementar de A e escrevemos Ac.
Pela definição, Ac = U – A: são os elementos de U que não pertencem a A. Dessa forma, nada muda em relação ao que vimos. O conjunto maior (U) fica embaixo e o complementar continua sendo “o que falta a A para se tornar U”.
Por exemplo, sendo U = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10} e A = {1, 2, 3, 4, 5}, temos:
Ac = U – A = {6, 7, 8, 9, 10}

Cuidado: o complementar depende do universo escolhido. Se A = {2, 4, 6}, então, com U = {1, 2, …, 6}, temos Ac = {1, 3, 5}; já com U = {1, 2, …, 9}, temos Ac = {1, 3, 5, 7, 8, 9}. Logo, antes de calcular, confirmem qual é o universo do enunciado. Quando ele não aparece de forma explícita, procurem no contexto, como em “todos os alunos da escola” ou “os números reais”.

Nos itens a e b, dados os conjuntos A e B, calcule o complementar daquele que for conveniente. No item c, o enunciado traz um universo U.
O primeiro passo para resolver essa questão, pessoal, consiste em verificar qual dos conjuntos é subconjunto do outro. Nesse sentido, é fato que todos os elementos de B também pertencem a A. Sendo B um subconjunto de A, está decidido: obteremos o complementar de B em relação a A!

Observando a resolução deste último exemplo, vocês conseguiram perceber que são justamente os elementos 2 e 6 que faltam ao conjunto B para que ele se torne o conjunto A? Por isso, o conjunto {2, 6} é o complementar de B em relação ao conjunto A! Abaixo, segue a representação em diagrama do caso.

E agora, pessoal, qual dos conjuntos acima é subconjunto do outro? O símbolo “∅” representa um conjunto vazio, ou seja, que não possui nenhum elemento. Sabendo que o conjunto vazio está contido em qualquer conjunto, podemos concluir que A é subconjunto de B, e, portanto, obteremos o complementar de A em relação a B.

Se A não possui nenhum elemento, é fato que faltam todos os elementos de B para que A possa ser igual a B. Por isso, nesse caso, o complementar de A em relação a B é o próprio conjunto B.
Como o enunciado traz um universo, buscamos o complementar de A em relação a U, isto é, Ac = U – A. Primeiro, listamos os números primos de U: A = {2, 3, 5, 7}. Em seguida, retiramos esses elementos de U:
Ac = U – A = {1, 4, 6, 8, 9, 10}
Reparem que o número 1 pertence ao complementar. Isso acontece porque ele não é primo e, por conseguinte, não está em A. Dessa forma, o complementar reúne tudo o que está em U e fora de A.

Agora que vocês já sabem calcular o complementar na prática, chegou a hora de conhecer as propriedades que tornam essa operação tão útil — principalmente nas provas! Vamos ver as relações fundamentais, pessoal.
A união de um conjunto com o seu próprio complementar sempre resulta no conjunto universo:
A ∪ Ac = U
Faz todo sentido, não é? Afinal, Ac é formado exatamente pelos elementos que faltam a A para ele se tornar U.
Já a interseção entre um conjunto e seu complementar é sempre vazia — os dois nunca têm elementos em comum:
A ∩ Ac = ∅
Se tirarmos o complementar duas vezes seguidas, voltamos ao conjunto original:
(Ac)c = A
O complementar do conjunto vazio é o próprio universo, e o complementar do universo é o conjunto vazio:
∅c = U e Uc = ∅
Se B é subconjunto de A, então o complementar de A é subconjunto do complementar de B:
Se B ⊂ A, então Ac ⊂ Bc
A ideia é intuitiva: quanto maior o conjunto, menos elementos sobram fora dele. Com U = {1, 2, …, 10}, B = {1, 2} e A = {1, 2, 3, 4}, temos B ⊂ A, Ac = {5, 6, 7, 8, 9, 10} e Bc = {3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10}. De fato, Ac ⊂ Bc.
Retirar B de A é o mesmo que ficar com o que está em A e fora de B. Em símbolos:
A – B = A ∩ Bc
Com U = {1, 2, …, 10}, A = {1, 2, 3, 4, 5} e B = {4, 5, 6, 7, 8}, temos A – B = {1, 2, 3} e Bc = {1, 2, 3, 9, 10}. Logo, A ∩ Bc = {1, 2, 3}. Assim, a diferença também pode ser escrita com o complementar, o que ajuda a simplificar expressões.
| Propriedade | Fórmula | Em palavras |
|---|---|---|
| União com o complementar | A ∪ Ac = U | Um conjunto e o seu complementar, juntos, formam o universo |
| Interseção com o complementar | A ∩ Ac = ∅ | Um conjunto e o seu complementar não têm elementos em comum |
| Complementar do complementar | (Ac)c = A | Complementar duas vezes devolve o conjunto original |
| Casos extremos | ∅c = U e Uc = ∅ | Do vazio falta tudo; do universo não falta nada |
| Inclusão | Se B ⊂ A, então Ac ⊂ Bc | Quanto maior o conjunto, menor o seu complementar |
| Diferença | A – B = A ∩ Bc | Retirar B de A é ficar com o que está em A e fora de B |
| Número de elementos | n(Ac) = n(U) – n(A) | O complementar tem o que sobra do total |
| 1ª Lei de De Morgan | (A ∪ B)c = Ac ∩ Bc | O complementar da união é a interseção dos complementares |
| 2ª Lei de De Morgan | (A ∩ B)c = Ac ∪ Bc | O complementar da interseção é a união dos complementares |
As leis levam o nome do matemático britânico Augustus De Morgan e aparecem escritas das duas formas: “Leis de De Morgan” ou “Leis de Morgan”.
Essa é uma parte muito útil nas provas, pessoal, porque ajuda a simplificar expressões e a conferir resultados! As Leis de De Morgan relacionam o complementar com a união e a interseção de dois conjuntos:
(A ∪ B)c = Ac ∩ Bc
(A ∩ B)c = Ac ∪ Bc
Em palavras: o complementar da união é a interseção dos complementares, e o complementar da interseção é a união dos complementares. Parece trava-língua, mas fica simples com um exemplo!

Na imagem, o lado esquerdo destaca tudo o que está fora de A ∪ B. No lado direito, estão destacados o que está fora de A (rosa) e, ao mesmo tempo, o que está fora de B (azul). A região mais escura, que fica fora dos dois conjuntos, é exatamente a mesma do lado esquerdo.
Sendo U = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10}, A = {1, 2, 3, 4, 5} e B = {4, 5, 6, 7, 8}, temos A ∪ B = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8}, logo (A ∪ B)c = {9, 10}.
Agora, calculando pelo outro caminho: Ac = {6, 7, 8, 9, 10} e Bc = {1, 2, 3, 9, 10}. A interseção entre eles, Ac ∩ Bc, é justamente {9, 10}. Bateu certinho com a lei de De Morgan!
Vamos conferir a segunda lei com os mesmos conjuntos. Como A ∩ B = {4, 5}, temos (A ∩ B)c = {1, 2, 3, 6, 7, 8, 9, 10}. Pelo outro caminho, Ac ∪ Bc = {6, 7, 8, 9, 10} ∪ {1, 2, 3, 9, 10} = {1, 2, 3, 6, 7, 8, 9, 10}. Mais uma vez, os resultados coincidem.

Nesta segunda imagem, nos dois lados fica destacado tudo, exceto a região comum a A e B, ou seja, exceto a interseção.
Pensem em um elemento x qualquer de U. Dizer que x está em (A ∪ B)c significa que x não está em A ∪ B, isto é, x não está em A e também não está em B. Ora, isso é exatamente dizer que x está em Ac e em Bc, ou seja, em Ac ∩ Bc. A segunda lei segue o mesmo raciocínio: não estar em A ∩ B significa não estar em A ou não estar em B.
Para aplicar as leis, basta seguir dois passos: (1) colocar o complementar em cada conjunto; (2) trocar a união pela interseção, ou a interseção pela união. Por exemplo, (A ∪ B)c vira Ac ∩ Bc. Assim, o erro mais comum é complementar só um dos lados sem trocar o símbolo, ou trocar o símbolo sem complementar os conjuntos.
As Leis de De Morgan também aparecem na lógica, com o mesmo espírito. Negar “o aluno joga futebol ou vôlei” é dizer que ele não joga futebol e não joga vôlei; já negar “joga futebol e vôlei” é dizer que ele não joga futebol ou não joga vôlei. Dessa forma, o “ou” vira “e”, e o “e” vira “ou”, exatamente como a união e a interseção nos conjuntos.
Guardem essas propriedades: elas voltam nos intervalos da reta real e nas questões de contagem e probabilidade que veremos a seguir.
Quando o universo é o conjunto dos números reais (ℝ), o complementar de um intervalo é “o que sobra da reta”. O cuidado principal está nos extremos: se o extremo pertence ao intervalo, ele fica de fora do complementar; se não pertence, ele entra no complementar.
Por exemplo, para A = [–1, 3), o número –1 pertence a A (bolinha fechada) e o 3 não pertence (bolinha aberta). Logo, no complementar acontece o contrário: o –1 fica de fora e o 3 entra.

Assim, Ac = (–∞, –1) ∪ [3, +∞). Observem que o complementar de um intervalo limitado é a união de duas semirretas. A tabela a seguir reúne os casos mais comuns, com U = ℝ:
| Intervalo A | Complementar de A em ℝ |
|---|---|
| [a, b] | (–∞, a) ∪ (b, +∞) |
| (a, b) | (–∞, a] ∪ [b, +∞) |
| [a, b) | (–∞, a) ∪ [b, +∞) |
| (a, b] | (–∞, a] ∪ (b, +∞) |
| [a, +∞) | (–∞, a) |
| (a, +∞) | (–∞, a] |
| (–∞, b] | (b, +∞) |
| (–∞, b) | [b, +∞) |
Exemplo: sendo A = (–∞, 2] e B = (–1, 5), determine (A ∩ B)c.
Primeiro, A ∩ B = (–1, 2]. Logo, (A ∩ B)c = (–∞, –1] ∪ (2, +∞). Pela 2ª Lei de De Morgan, o resultado é o mesmo de Ac ∪ Bc: como Ac = (2, +∞) e Bc = (–∞, –1] ∪ [5, +∞), a união é (–∞, –1] ∪ (2, +∞). Conferiu!
Para revisar a notação de intervalos e as operações de união, interseção e diferença na reta real, acessem os textos Intervalos Reais e Operações com Intervalos.
O complementar é um atalho poderoso sempre que a pergunta traz as palavras “nenhum”, “não” ou “pelo menos um”. Em vez de contar diretamente o que o enunciado pede, contamos o que ele não pede e subtraímos do total.
Se U tem n(U) elementos e A tem n(A), o complementar de A tem n(Ac) = n(U) – n(A) elementos. Em problemas de pesquisa, “não praticam nenhum dos dois esportes”, por exemplo, corresponde ao complementar da união: n((A ∪ B)c) = n(U) – n(A ∪ B). Para calcular n(A ∪ B), usem a fórmula do texto Número de Elementos da União.
Na probabilidade, o evento complementar de A é “A não ocorre”, e vale P(Ac) = 1 – P(A). Por exemplo, a probabilidade de não sair 6 ao lançar um dado é 1 – 1/6 = 5/6. Já a probabilidade de sair pelo menos uma cara em três lançamentos de uma moeda é o complementar de “nenhuma cara”: 1 – (1/2)3 = 7/8.
Chegou a hora de ver como esse conteúdo aparece de verdade nas provas, pessoal. Vamos resolver duas questões reais.
Fonte: Enem 2013, 2º dia, caderno azul, questão 150 (Inep).
Uma escola com 1.200 alunos pesquisou o conhecimento de inglês e espanhol entre os estudantes. O levantamento apontou 600 alunos que falam inglês, 500 que falam espanhol e 300 que não falam nenhum dos dois idiomas. Escolhendo um aluno ao acaso, sabendo que ele não fala inglês, qual a probabilidade de que ele fale espanhol?
(A) 1/2 (B) 5/8 (C) 1/4 (D) 5/6 (E) 5/14
Resolução:
Os 300 alunos que não falam nenhum idioma formam o complementar da união (inglês ∪ espanhol) em relação ao universo de 1.200 alunos. Então:
n(inglês ∪ espanhol) = 1.200 – 300 = 900
Pela propriedade da união, n(inglês ∪ espanhol) = n(inglês) + n(espanhol) – n(inglês ∩ espanhol):
900 = 600 + 500 – n(inglês ∩ espanhol) → n(inglês ∩ espanhol) = 200
Os alunos que não falam inglês são o complementar de inglês: 1.200 – 600 = 600.
Dentro desse grupo, quem fala espanhol são os que falam só espanhol: 500 – 200 = 300.
Probabilidade = 300/600 = 50%, ou seja, alternativa A.
Para conferir, observem como os 1.200 alunos se distribuem pelas regiões do diagrama:
| Região do diagrama | Alunos |
|---|---|
| Só inglês (600 – 200) | 400 |
| Inglês e espanhol (interseção) | 200 |
| Só espanhol (500 – 200) | 300 |
| Nenhum idioma (complementar da união) | 300 |
| Total | 1.200 |
Uma pesquisa com 120 empregados de uma firma constatou: 38 têm casa própria, 42 têm curso superior, 70 têm plano de saúde, 34 têm casa própria e plano de saúde, 17 têm casa própria e curso superior, 24 têm curso superior e plano de saúde, e 15 têm as três coisas. Qual a porcentagem dos empregados que não se enquadra em nenhuma dessas situações?
Resolução:
Sejam A = casa própria, B = curso superior e C = plano de saúde. Usando o princípio da inclusão-exclusão para três conjuntos:
n(A∪B∪C) = 38 + 42 + 70 – 17 – 34 – 24 + 15 = 150 – 75 + 15 = 90
Os que não se enquadram em nenhuma situação formam o complementar dessa união:
120 – 90 = 30 empregados
Porcentagem: 30/120 = 25%
Antes de partir para os exercícios propostos, vejam os deslizes que mais aparecem quando o assunto é complementar. Assim, vocês já sabem o que evitar:
Os exercícios a seguir foram elaborados para este texto, no estilo do Enem e dos vestibulares. Tentem resolver sozinhos antes de conferir o gabarito comentado.
1) Considere o universo U = {1, 2, 3, …, 12}, o conjunto A dos números pares de U e o conjunto B dos múltiplos de 3 de U. Determine: a) Ac; b) (A ∩ B)c; c) Ac ∪ Bc. O que você observa?
2) Sejam A = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8} e B = {2, 3, 5, 7}. a) Determine o complementar de B em relação a A. b) Existe o complementar de A em relação a B? Justifique. c) Qual é o complementar de B em relação ao próprio B?
3) Sendo U = ℝ, A = [0, 4) e B = (2, 7], determine Ac, Bc e (A ∩ B)c.
4) Em uma turma de 60 alunos, 34 estudam inglês, 25 estudam espanhol e 9 estudam os dois idiomas. a) Quantos alunos não estudam nenhum dos dois idiomas? b) Sorteando um aluno ao acaso, qual a probabilidade de ele não estudar inglês? c) Qual a probabilidade de ele estudar pelo menos um dos dois idiomas?
5) Simplifique a expressão (Ac ∩ Bc)c usando as Leis de De Morgan.
6) Julgue cada afirmação como verdadeira (V) ou falsa (F), considerando conjuntos A e B de um universo U: a) (Ac)c = A; b) A ∩ Ac = U; c) (A ∪ B)c = Ac ∪ Bc; d) se B ⊂ A, então Ac ⊂ Bc.
1) Temos A = {2, 4, 6, 8, 10, 12} e B = {3, 6, 9, 12}. a) Ac = {1, 3, 5, 7, 9, 11}. b) Como A ∩ B = {6, 12}, temos (A ∩ B)c = {1, 2, 3, 4, 5, 7, 8, 9, 10, 11}. c) Como Bc = {1, 2, 4, 5, 7, 8, 10, 11}, temos Ac ∪ Bc = {1, 2, 3, 4, 5, 7, 8, 9, 10, 11}. Os itens b e c têm o mesmo resultado, o que confirma a 2ª Lei de De Morgan.
2) a) Todos os elementos de B pertencem a A, logo B ⊂ A e o complementar existe: CBA = A – B = {1, 4, 6, 8}. b) Não. Para existir, seria necessário A ⊂ B, mas isso é falso: o elemento 1 pertence a A e não pertence a B. c) B – B = ∅.
3) Ac = (–∞, 0) ∪ [4, +∞) e Bc = (–∞, 2] ∪ (7, +∞). Como A ∩ B = (2, 4), temos (A ∩ B)c = (–∞, 2] ∪ [4, +∞), que coincide com Ac ∪ Bc.
4) a) n(inglês ∪ espanhol) = 34 + 25 – 9 = 50. Logo, 60 – 50 = 10 alunos não estudam nenhum dos dois idiomas. b) Não estudam inglês 60 – 34 = 26 alunos, então a probabilidade é 26/60 = 13/30 (aproximadamente 43,3%). c) Pelo menos um dos idiomas: 50/60 = 5/6 (aproximadamente 83,3%), ou, pelo complementar, 1 – 10/60 = 5/6.
5) Pela 1ª Lei de De Morgan, (Ac ∩ Bc)c = (Ac)c ∪ (Bc)c. Como o complementar do complementar devolve o conjunto original, o resultado é A ∪ B.
6) a) Verdadeira. O complementar do complementar devolve A. b) Falsa. A ∩ Ac = ∅; é a união que resulta em U. c) Falsa. O correto é (A ∪ B)c = Ac ∩ Bc. d) Verdadeira. Se B ⊂ A, então o complementar de A cabe dentro do complementar de B.
Quer treinar mais? Cadastre-se nos cursos gratuitos de matemática do Professor Ferretto e reforce a base para o Enem e os vestibulares, sem custo.
É o conjunto dos elementos que faltam a um conjunto B para se tornar um conjunto maior A que o contém. Em símbolos, se B ⊂ A, o complementar de B em relação a A é A – B. Quando há um universo U fixado, o complementar de A é Ac = U – A.
Para o complementar de B em relação a A, escreve-se a letra C com B em cima e A embaixo. Com um universo definido, usa-se Ac, e também é comum ver Ā ou A′. Todas as notações expressam a mesma ideia.
Quando B não está contido em A. Nesse caso, só é possível calcular a diferença A – B. Por exemplo, com A = {1, 2} e B = {2, 3}, existe A – B = {1}, mas não existe o complementar de B em relação a A.
Em relação ao universo U, o complementar do vazio é o próprio U, e o complementar de U é o vazio. Do conjunto vazio falta tudo; do universo, não falta nada.
São duas: (A ∪ B)c = Ac ∩ Bc e (A ∩ B)c = Ac ∪ Bc. Ou seja, o complementar da união é a interseção dos complementares, e o complementar da interseção é a união dos complementares.
Sim. Com A = {2, 4, 6}, se U = {1, 2, …, 6}, então Ac = {1, 3, 5}; se U = {1, 2, …, 9}, então Ac = {1, 3, 5, 7, 8, 9}. Por isso, é sempre importante confirmar o universo do enunciado.
Sim, principalmente em problemas de contagem e probabilidade, sempre que o enunciado fala em “nenhum”, “não” ou “pelo menos um”, como na questão do Enem 2013 resolvida neste texto. Para ver a incidência de cada tema nas últimas provas, consulte o ENEM’s Anatomy.
E aí, pessoal, gostaram do texto de hoje? Vamos encerrá-lo por aqui, mas não há motivos para se lamentar. Em anexo, deixo um vídeo para que vocês revisem a diferença entre os conjuntos, e também a operação que acabamos de aprender. No mais, desejo muito sucesso a todos! Com empenho e dedicação podemos chegar aonde desejarmos!
E, se quiserem mais resoluções e dicas rápidas, inscrevam-se no canal do Professor Ferretto no YouTube e acompanhem o Instagram @professorferretto.
Para aprofundar cada assunto, estes textos do blog são os próximos passos:
Portanto, a dica final é simples: na dúvida, desenhem o diagrama e pintem a região que falta. Dessa forma, o complementar deixa de ser mistério e vira uma conta rápida.
Gostou deste conteúdo? Então continue seus estudos com os Cursos Gratuitos de Matemática do Professor Ferretto. É a oportunidade de reforçar a base de conjuntos e de todo o conteúdo que o Enem e os vestibulares cobram, sem custo.
Quer saber exatamente quais assuntos mais caem no Enem? Conheça o ENEM’s Anatomy, um material gratuito que reúne a incidência de cada tema nas últimas provas. Baixe o ENEM’s Anatomy aqui e organize seus estudos com ainda mais estratégia.
Deseja ter uma preparação completa em matemática e ciências da natureza? Então conheça os planos e cursos da Plataforma do Professor Ferretto e vem com a gente garantir a sua vaga no ensino superior!
Bons estudos a todos! Até mais!
