O Inep divulgou, em setembro de 2026, a Cartilha do Participante: A Redação do Enem 2026, documento oficial que explica...
As inequações do 1º grau são desigualdades entre expressões algébricas de grau 1. Se você quer aprender como resolve-las, ou entender melhor os sinais de desigualdade, então esse texto é para você!
Uma inequação do 1º grau é uma desigualdade entre duas expressões algébricas de grau 1, escrita com os sinais >, <, ≥, ≤ ou ≠ no lugar do sinal de igual. Resolvê-la significa encontrar todos os valores de x que tornam essa desigualdade verdadeira — e, diferente da equação, a resposta quase sempre é um intervalo de números, não um único valor.
Neste guia, você vai entender os sinais de desigualdade, aprender o passo a passo para resolver qualquer inequação do 1º grau, representar o conjunto solução na reta numérica e ainda praticar com exercícios resolvidos e propostos.
Quando Gilberto Gil canta que “tudo é tão desigual”, ele não está exagerando: na matemática, as relações de desigualdade — as inequações — são tão importantes quanto as igualdades, e caem com frequência no Enem e nos vestibulares, seja em questões diretas, seja escondidas dentro de problemas de lucro mínimo, faixas de idade ou planos de serviço.
Assim, dominar a inequação do 1º grau é um passo essencial para garantir pontos com tranquilidade nessas provas.
E por falar em se preparar com tranquilidade, vale lembrar que a plataforma do Professor Ferretto tem planos de estudo focados na matemática do Enem, na matemática dos vestibulares, ou nos dois ao mesmo tempo — assim, você não perde tempo estudando o que não precisa.
Para entender o que é uma desigualdade, vale compará-la primeiro a uma igualdade — ou seja, à já conhecida equação do 1º grau. Afinal, o que buscamos ao resolver uma equação como esta?
3x + 5 = 8
A equação acima afirma que a expressão “3x + 5″ deve ser exatamente igual a “8”, porque existe um sinal de igualdade entre os termos, o “=”. Portanto, quando resolvemos uma equação como essa, buscamos o único valor de x que a torna verdadeira. Acompanhe a resolução abaixo:

Repare, na verificação a seguir, por que apenas um único valor de x torna a sentença verdadeira:

Qualquer valor de x diferente daquele que encontramos como solução da equação (“x = 1″) não satisfaz a igualdade. Mas, e se em vez do sinal de igual, tivéssemos uma nova expressão?
3x + 5 > 8
Agora não há mais sinal de igualdade entre os termos, e por isso não podemos mais chamá-la de equação, mas sim de inequação do 1º grau. Ela afirma que a expressão “3x + 5″ deve resultar em um valor maior do que “8”, porque existe um sinal de desigualdade entre os termos, o “>”. A resolução, aliás, é praticamente a mesma que a da equação:

Tirando o fato de que o sinal foi alterado, nada muda na resolução em si. Mas, assim como no caso anterior, vamos avaliar a resposta obtida:

Repare que qualquer valor de x maior do que 1 satisfaz a desigualdade — ou seja, torna o lado esquerdo da inequação maior do que o lado direito. E é exatamente aí que mora a diferença: quando resolvemos uma inequação, estamos buscando uma série de valores de x que a satisfaçam, e não um único número.
Por isso, o conjunto solução de uma inequação costuma ser dado na forma de um intervalo, e não de um único valor, como acontece em uma equação. Em notação de conjunto, escrevemos:
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Ou seja: todo valor de x que pertença ao conjunto dos números reais e que seja maior do que 1 é solução dessa inequação. Mais adiante, na seção sobre estudo do sinal, você também vai ver como representar essa mesma solução na reta numérica e em notação de intervalo — algo que costuma cair bastante em prova.
Antes de seguir, um resumo rápido ajuda a fixar a diferença entre os dois conceitos:
| Critério | Equação do 1º grau | Inequação do 1º grau |
|---|---|---|
| Sinal principal | Igualdade (=) | Desigualdade (>, <, ≥, ≤) |
| Quantidade de soluções | Geralmente um único valor de x | Um intervalo de valores de x |
| Representação da solução | Um ponto (S = {valor}) | Um trecho da reta numérica |
| Regra especial | Nenhuma | Inverte o sinal ao multiplicar/dividir por número negativo |
| Exemplo | 3x + 5 = 8 → x = 1 | 3x + 5 > 8 → x > 1 |
É claro que, se duas coisas são desiguais, elas são diferentes entre si. Por isso existe um sinal que informa quando duas expressões são simplesmente diferentes, o “≠”. Mas, para dizer de que maneira elas são diferentes, precisamos ser mais específicos:

Os sinais “≥” e “≤” costumam causar confusão, mas não há razão para se preocupar: quando eles aparecem em uma inequação, significa que existem duas formas de satisfazê-la. Vimos acima que a inequação 3x + 5 > 8 tem como solução todos os valores de x maiores do que 1. Veja agora o que acontece quando o sinal é “≥”:


Note que, além dos valores de x maiores do que 1, quando x é exatamente igual a 1, a inequação também é verdadeira! Fique atento ao significado da conjunção ou: duas soluções sempre serão válidas — ou uma, ou a outra.

Existe, sim, uma lógica visual simples por trás desses sinais:

O lado onde estão os termos de menor valor é a pontinha do sinal — onde ele “se fecha”. Já o lado em que o sinal tem uma abertura é onde ficam os termos de maior valor. Por isso, muitos professores associam esses sinais a uma boca: ela fica aberta para o lado maior, e fechada para o lado menor, como mostra a figura a seguir.

E, para fixar bem essa lógica, nada como alguns exemplos numéricos:

Agora, duas situações curiosas envolvendo o sinal de desigualdade merecem atenção especial. Observe o exemplo numérico a seguir:
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Para trocar dois números ou termos algébricos de lado em uma equação, costuma-se trocar o sinal desses termos — o que é negativo se torna positivo, e vice-versa. Nas inequações, acontece exatamente a mesma coisa, sem que o sinal de desigualdade precise ser alterado:

Repare que –9 é mesmo menor do que 2; portanto, o sinal continuou sendo aplicado corretamente, mesmo com os números trocando de lado. Mas, e se em vez de trocarmos os números de lado, multiplicássemos ambos os lados da inequação original por “–1”? Em uma equação, isso não traria problema algum. Vamos ver o que acontece em uma inequação:

Será que 2 é mesmo menor que –9? Claro que não! Por isso:
| Ao multiplicar (ou dividir) uma inequação por um número negativo, deve-se necessariamente inverter o sinal de desigualdade e trocar o sinal de todos os termos algébricos ou valores numéricos. |

Resumindo as duas propriedades que você acabou de ver:
| Propriedade | O que diz | O sinal de desigualdade muda? |
|---|---|---|
| Trocar termos de lado | Pode-se trocar quaisquer dois termos de lado, desde que o sinal de cada um seja invertido junto | Não |
| Multiplicar ou dividir por número negativo | Ao multiplicar ou dividir ambos os lados por um número negativo, o sinal de cada termo se inverte | Sim, sempre inverte |
Neste ponto, você já reúne tudo o que precisa para resolver praticamente qualquer inequação do 1º grau. O segredo, como vai ver a seguir, é deixar todos os termos algébricos de um lado e todos os valores numéricos do outro. De forma geral, o caminho é este:
Preparado? Então vamos aos exercícios resolvidos.

Este exemplo não tem mistério: basta trazer todos os valores numéricos para o lado direito da inequação. O conjunto solução, em notação de conjunto e de intervalo, é:
S = {x ∈ ℝ | x > 3} ou, em notação de intervalo, S = (3, +∞)

Aqui, primeiro trazemos os termos algébricos para o lado esquerdo e os valores numéricos para o lado direito. Como o termo com x ficou negativo, multiplicamos toda a inequação por “–1” — e, por isso, também invertemos o sinal de desigualdade. O conjunto solução é:
S = {x ∈ ℝ | x ≤ 5} ou, em notação de intervalo, S = (–∞, 5]
Não é comum, mas você também poderia resolver essa questão trocando de lado os termos algébricos e os valores numéricos, sem precisar inverter o sinal de desigualdade. Observe como chegamos à mesma resposta:


Esse caso dá um pouco mais de trabalho: primeiro é preciso aplicar a propriedade distributiva do lado esquerdo, e depois organizar melhor os termos, antes de separar os termos algébricos dos valores numéricos. Repare que, embora o valor numérico tenha ficado negativo, o termo algébrico (o que carrega o x) ficou positivo — por isso não multiplicamos toda a inequação por “–1”. Isso só seria necessário se a incógnita x estivesse acompanhada de um valor negativo. O conjunto solução é:
S = {x ∈ ℝ | x ≤ –10} ou, em notação de intervalo, S = (–∞, –10]
Você já viu que o conjunto solução de uma inequação pode ser escrito em notação de conjunto, como S = {x ∈ ℝ | x > 1}. Mas, na prática — e principalmente quando o assunto é inequações simultâneas, que exigem comparar duas ou mais soluções ao mesmo tempo —, também é essencial saber representar essa mesma solução na reta numérica e em notação de intervalo.
A regra é simples: o formato da bolinha na reta depende de o valor de referência fazer parte ou não do conjunto solução.
| Sinal da inequação | Bolinha na reta numérica | Símbolo no intervalo |
|---|---|---|
| > ou < | Aberta (○) — o valor não entra na solução | Parêntese ( ) |
| ≥ ou ≤ | Fechada (●) — o valor entra na solução | Colchete [ ] |
Voltando aos dois primeiros exemplos deste guia — x > 1 e x ≥ 1 —, veja como cada um deles fica representado:

Repare que, em x > 1, a bolinha é aberta porque o próprio 1 não satisfaz a desigualdade (1 não é maior que 1); já em x ≥ 1, a bolinha é fechada porque o 1 também é solução. Essa é exatamente a diferença que separa (1, +∞) de [1, +∞) na notação de intervalo — e é um detalhe que costuma decidir questões de prova.
Conhecer os erros mais frequentes é a melhor forma de evitá-los:
Assim como a equação do 1º grau, a inequação raramente aparece como um exercício direto de “resolva a inequação abaixo”. Na maioria das vezes, ela está contextualizada dentro de um problema, e a palavra-chave que costuma sinalizar isso são expressões como “a partir de quantos”, “no mínimo”, “no máximo” ou “para que seja vantajoso”.
Veja um exemplo de como isso aparece na prática:
Uma loja vende uma camiseta por R$ 45,00 a unidade, além de uma taxa fixa de R$ 20,00 por pedido, qualquer que seja a quantidade comprada. Uma segunda loja vende a mesma camiseta por R$ 50,00 a unidade, sem cobrar taxa de pedido. A partir de quantas camisetas compradas em um único pedido a primeira loja se torna mais vantajosa?
Sendo x o número de camisetas, queremos saber quando o custo da primeira loja fica menor do que o da segunda:
45x + 20 < 50x
20 < 50x – 45x → 20 < 5x → 4 < x → x > 4
Como x representa uma quantidade de camisetas (um número inteiro), a resposta prática é: a partir de 5 camisetas em um único pedido, a primeira loja se torna mais vantajosa. Note como o resultado de uma inequação — um intervalo, x > 4 — é que orienta a resposta final do problema, mesmo quando o contexto pede um número específico.
Agora é sua vez de praticar. Resolva as três inequações abaixo e confira sua resposta no gabarito comentado ao final.
1) Resolva a inequação 4x – 7 < 2x + 5 e apresente o conjunto solução.
2) Resolva a inequação 2(x – 3) ≥ 3x – 1 e apresente o conjunto solução.
3) (Contextualizada) Uma corrida de aplicativo cobra R$ 6,00 fixos mais R$ 1,50 por quilômetro rodado. Outro aplicativo cobra R$ 3,00 fixos mais R$ 2,00 por quilômetro. A partir de quantos quilômetros o primeiro aplicativo passa a ser mais barato?
1) Agrupando os termos: 4x – 2x < 5 + 7 → 2x < 12 → x < 6. Logo, S = {x ∈ ℝ | x < 6}, ou, em notação de intervalo, S = (–∞, 6).
2) Aplicando a distributiva: 2x – 6 ≥ 3x – 1. Agrupando: 2x – 3x ≥ –1 + 6 → –x ≥ 5. Multiplicando por –1 e invertendo o sinal: x ≤ –5. Logo, S = {x ∈ ℝ | x ≤ –5}, ou, em notação de intervalo, S = (–∞, –5].
3) Igualando o custo dos dois aplicativos: 6 + 1,5x < 3 + 2x → 6 – 3 < 2x – 1,5x → 3 < 0,5x → x > 6. Logo, a partir de 7 km rodados (o primeiro número inteiro de quilômetros maior que 6), o primeiro aplicativo passa a ser mais barato.
É uma desigualdade entre duas expressões algébricas de grau 1, escrita com os sinais >, <, ≥, ≤ ou ≠. Diferente da equação, sua solução costuma ser um intervalo de valores, e não um único número.
A equação tem sinal de igualdade e, geralmente, uma única solução. A inequação tem sinal de desigualdade e sua solução é, na maioria dos casos, um intervalo de valores reais — representado na reta numérica ou em notação de conjunto/intervalo.
Sempre que multiplicar ou dividir os dois lados da inequação por um número negativo. Trocar termos de lado, por outro lado, não exige inverter o sinal — desde que o sinal de cada termo trocado também seja invertido.
Marca-se o valor de referência com uma bolinha aberta (quando o sinal é > ou <, e o valor não faz parte da solução) ou fechada (quando o sinal é ≥ ou ≤, e o valor faz parte da solução), e sombreia-se o trecho da reta que corresponde à solução.
Sim. O tema aparece tanto em questões diretas de resolução quanto embutido em problemas contextualizados — de matemática financeira, geometria ou comparação de planos e serviços — que pedem para encontrar um intervalo de valores válidos.
Para fixar tudo o que você viu até aqui, assista ao vídeo abaixo — nele, o Professor Ferretto resolve uma inequação do 1º grau um pouco mais desafiadora, composta por frações. E se quiser continuar acompanhando dicas rápidas de matemática, vale seguir o Professor Ferretto também no Instagram.
Agora que você já domina os fundamentos da inequação do 1º grau, chegou a hora de praticar com exercícios cada vez mais desafiadores. O Professor Ferretto oferece um curso gratuito de matemática com videoaulas completas, listas de exercícios comentados e um suporte que acompanha você do básico ao avançado.
Para uma preparação ainda mais completa e orientada para o Enem, vale conhecer também o ENEM’s Anatomy, um verdadeiro raio-x do Enem elaborado por especialistas da área.
Bons estudos e sucesso na sua preparação!